Creches
Por João Jesus Caetano | Arquivado em Sociedade
14 Fevereiro, 2008, 12:14 |
Foi recentemente anunciada a decisão de construir 75 novas creches nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto com o objectivo de aproximar a sua taxa de cobertura deste tipo de equipamentos sociais (56%) à média nacional (77%).
Como pai que colocou recentemente o filho de 20 meses numa creche, sinto a obrigação de me substituir aos drs. Santana Lopes e Paulo Portas, que ontem, no debate Parlamentar dedicado ao tema, tiveram prestações lamentáveis. Esta medida agora anunciada deve ser acompanhada por outras que ajudem a promover a qualidade e a segurança do tempo passado pelas crianças nestes espaços. Cabe ao governo garantir isso mesmo.
1. É de importância fundamental definir rigorosa e inequivocamente como estes equipamentos são construídos. Na creche do meu filho, que entrou em funcionamento há seis meses, o espaço de recreio, à altura de um primeiro andar, não tinha vedação, o chão era de cimento e havia pilares de madeira assentes em estruturas de aço com parafusos à vista. Passei muitas horas a enviar cartas para aqui e para ali para garantir que estas falhas seriam corrigidas. Para alguns dos meus interlocutores neste processo, não parecia que estivéssemos perante um problema;
2. É obrigatório apostar na formação qualificada dos auxiliares de educação, que são quem efectivamente passa mais tempo com as crianças. A boa vontade e o “jeitinho” podem não ser suficientes para garantir um acompanhamento adequado numa altura tão importante no desenvolvimento das crianças;
3. Em colaboração com o Instituto Ricardo Jorge, fazer um levantamento exaustivo das práticas diárias nestes espaços que podem condicionar a saúde das crianças. Muitas das constipações, gastroentrites, e outros episódios frequentes seriam evitáveis com práticas mais cuidadosas. A formação das pessoas envolvidas no acompanhamento das crianças passaria igualmente por aqui. O impacto destas más práticas na saúde das crianças é evidente e reflecte-se, depois, em horas perdidas de trabalho dos pais e em idas desnecessárias aos centros de saúde;
4. Por último, uma maior proteção laboral aos pais que perante situações de doença dos filhos tenham que os acompanhar. E isto tem também muito a ver com o ponto anterior. Situações laborais precárias levam os pais, muitas vezes, a não poder acompanhar as crianças doentes e a deixá-las na creche, quando era aconselhável que não o fizessem.
Comentários
Comente


