Super terça-feira, round II
Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política
3 Março, 2008, 11:36 |
Tem sido frequente Barack Obama conseguir melhores resultados que os previstos pelas sondagens. Isto levar-nos-ia a concluir que, dos dois candidatos Democratas, é Obama quem mais atrai os indecisos de última hora. Mas este artigo de Jay Cost, escrito a partir de uma análise cuidada das exit polls, mostra o contrário. Ora, este é mais um indicador de que as sondagens têm vindo a subestimar o eleitorado de Obama. O mais certo é que os modelos de previsão não estão a medir adequadamente os novos eleitores, que, por serem “novos”, são menos previsíveis.
Assim, muito provavelmente, o empate no Texas e a vantagem de Clinton no Ohio que as sondagens prevêm actualmente, irão corresponder, amanhã, a uma vitória de Obama no primeiro e a uma vitória menos folgada de Clinton no segundo. Como esta é quem mais atrai o eleitorado indeciso, o vídeo lançado recentemente pela sua campanha vem no sentido de ampliar essa vantagem.
O interessante disto é que é, efectivamente, irrelevante. Explico-me: a engenharia eleitoral do Texas e do Ohio fazem com que seja necessário um candidato conseguir mais de 60-65% dos votos para alocar mais delegados que o outro. Ora, a menos que as companhias que promovem as sondagens estejam de tal forma erradas que o melhor é os seus CEO’s se reformarem, nem Barack Obama nem Hillary Clinton conseguirão uma vantagem tão grande no Texas ou no Ohio.
Assim, amanhã, ao fim do dia, a diferença no número de delegados alocados aos candidatos será a mesma de hoje. Ninguém vai perder, nem ganhar. Há quem considere isto negativo para o partido Democrata porque adia a sua decisão, ao mesmo tempo que o partido Republicano se foca no apoio a McCain. Eu não estou tão certo disso. Se alguma coisa tem sido diferente nestas primárias, é a forma como a mensagem política tem chegado a mais eleitores. A eleitores de Estados onde, tradicionalmente, quando votam nas primárias, já tudo está decidido. Ora, o eleitorado atrai-se e fideliza-se através da campanha. Que o diga McCain, que sendo já o virtual nomeado Republicano tem sentido uma crescente dificuldade em fazer chegar a sua mensagem aos independentes, mais atentos e entusiasmados com a luta entre Obama e Clinton.
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