Política Wiki
Por João Jesus Caetano | Arquivado em Política, Sociedade
18 Janeiro, 2008, 11:40 |
Motivado pela recente edição em Portugal do livro de Don Tapscott e Anthony D. Williams, “Wikinomics: A Nova Economia das Multidões Inteligentes”, voltei a um artigo de Douglas Rushkoff a que cheguei pela primeira vez através do Ruben Eiras, do blogue Casa da Liberdade. “Open Source Democracy” (formato PDF) ilustra e discute como a internet está a transformar a acção política. Tal como o LINUX, que é um sistema operativo desenvolvido pela comunidade de utilizadores, Douglas Rushkoff defende que estamos perante a renascença da participação política dos cidadãos, a qual conduzirá, inevitavelmente, a uma maior horizontalidade das decisões que definem o bem estar das populações.
Poderíamos ser levados a pensar que a discussão recente sobre o novo aeroporto de Lisboa se aproxima desta forma de democracia, mas nada mais errado. Um dos fundamentos que a sustenta, é, em linguagem computacional, o da completa abertura do código aos utilizadores. E um dos seus pressupostos, o das multidões serem inteligentes. Ora, nem os códigos estavam abertos - grupos de interesse, anónimos, financiaram um estudo técnico - nem as multidões são inteligentes - de outra forma, teriam denunciado os estudos sobre o impacto das aves na segurança dos aviões, estudos esses que duraram apenas três meses, ou contestado a relevância dada ao impacto financeiro das decisões, que embora de muitos milhões, representa só uma diferença de 5%.
Comentários
5 Comentários ao artigo “Política Wiki”
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[este comentário foi formatado e as hiperligações corrigidas pelo editor do blogue]
Caro João não é verdade o que dizes, mesmo o caso que referes do kernel Linux, como um modelo de cooperação livre falha. Na verdade o sistema operativo deveria ser designado por GNU/Linux, já que a quase totatidade das ferramentas que o compõe são da GNU. Linux é, e apenas só kernel. Corresponde de facto ao branqueamento político por parte dos não “seguidores” da ideologia da GNU.
O exemplo que referes Wikinomics: A Nova Economia das Multidões Inteligentes é desse branqueamento um exemplo.
A era da Web 2.0, dizem, é, pertence, agora ao “povo”, dominada por quem nada sabe de HTML, PHP, ou qualquer outra linguagem de programação (pergunte-se se isto faz sentido) mas que tem sempre opinião, bem ou mal fundada, pouco importa, deste que a tenha. A característica principal desta nova web é, seria, o de poder alterar, modificar e partilhar conteúdos, próprios ou de outros, pessoais e internos, que deveriam permanecer escondidos da opinião alheia.
Enquanto que as primeiras características, partilha, alteração e modificação de textos, imagens, programas, é em si mesmo uma coisa salutar, bem enraizada na cultura da primeira web via o trabalho de, por exemplo, os partidários do Software Livre, o segundo conjunto de características, de partilha de “dados” pessoais, requer alguma consciência do que se põe em jogo e acarreta consigo uma perda de liberdade individual real a que o wikinomics não refere.
Ou seja, parte, do que cada um é não é partilhável na web. É necessário alguma interacção física, um comprometimento, quase táctil diria, para se revelar gostos, preferências, vontades, desejos e emoções. Claro que há sempre quem veja uma oportunidade de negócio associada à partilha e aos valores individuais. Muitas das empresas (Google, Amazon, etc)
tem lucro disso mesmo, da gestão de cada projecção individual nessa Web 2.0. Claro que todos retiramos proveito próprio desta massificação da web, existirão outras das quais retiramos benefícios.
Mas quanta liberdade teremos de dar aos outros para fazermos parte dessa multidão inteligente. Há quem queira fazer parte dela?
Caro Tiago,
Tomei a liberdade de corrigir as hiperligações do teu comentário porque achei que quem estivesse interessado em seguir o teu raciocínio ficaria a ganhar com isso.
Caro Tiago,
Desculpa, mas não percebi o que queres dizer com “não é verdade o que dizes”. A que afirmação, ou afirmações, é que te referes?
Se bem entendi o resto do teu comentário, gostava de acrescentar o seguinte:
As “multidões inteligentes” têm essa capacidade extraordinária de se auto-corrigirem. É por isso que se chamam inteligentes. A wikipedia é o exemplo mais evidente.
Agora, se de facto a cooperação só é formalmente horizontal e livre, essa é a uma questão totalmente relevante à qual será sempre difícil responder. Dito de outra forma, conseguem os processos cooperantes ser completamente descentralizados? Diria que não.
Sobre as cedências de cada um de nós perante o colectivo, nada de novo. Não é exclusivo da Web 2.0, nem da internet. É assim mesmo.
A não verdade, ou antes, mentira mesmo, é em relação à afirmação sobre a multidão, que é inteligente!
Pode um número infinito de macacos escrever todos s sonetos de Shakespeare ou mesmo toda a wikipedia?
Qual o número de pessoas que de facto contribui para a Wikipedia? Uma multidão… Penso que não.
Não tenho dados estatísticos sobre os autores (formação, género e idade, etc) da wikipedia. Posso estar enganado mas não deve ser uma multidão, se sim, uma pequenina.
Caro Tiago,
Portanto, esta é a tua opinião sobre o que consideras ser a minha “mentira”:
1) Um número infinito de macacos pode escrever a wikipidea;
2) Achas, ou melhor, o teu gut diz-te, que a multidão que de facto contribui para a wikipidea é pequenina.
Fiquei esclarecido.