Now what?

Posted on May 7, 2008 
Filed Under Política

Os resultados das primarias democratas de ontem reforcam a tese que a campanha eleitoral tem tido muito pouca relevancia para a dinamica demografica do processo. A atitude mais agressiva de Hillary ou o resurgimento do reverendo Wright acabam por ter, efectivamente, impacto residual na escolha dos eleitores. Desde 5 de Fevereiro — dia da Super Tuesday — que Hillary Clinton ganha junto das mulheres, dos brancos operarios e dos hispanicos, enquanto Obama capta os votos dos afro-americanos, dos jovens e dos brancos qualificados e abastados. Tivesse o partido democrata capacidade de coligar estas demografias e John McCain arriscar-se-ia a perder nos 50 estados em Novembro.

Hoje, restam 230 superdelegados que ainda nao anunciaram a sua intencao de voto. Entre eles, estao Al Gore, John Edwards, Howard Dean, Nanci Pelosi, Donna Brazile e outras figuras nacionais do partido, mas a grande maioria sao congressistas, senadores e dirigentes locais. Para os ultimos, o dilema tem sido escolher entre a maior elegibilidade de Clinton e a preferencia dos seus constituintes. Para os primeiros, o receio de fracturarem o partido tem-nos mantido na expectativa. Por exemplo, Donna Brazile, ontem, na CNN, corrigiu alguem do painel que a classificou de “indecisa” dizendo que era “nao declarada”.

Howard Dean ja avisou que e desejavel que os superdelegados declarem a sua preferencia ate 3 de Junho, dia das ultimas primarias. Mas com a questao de Florida e Michigan ainda em aberto, com os delegados que John Edwards leva a convencao sem orientacao de voto, e com superdelegados com receio de partir a loica (ler aqui), o mais certo e que a decisao seja o resultado de um compromisso de bastidores. Talvez, so talvez, o Dream Ticket ainda seja possivel. Afinal, mais do que o partido democrata, e o futuro dos Estados Unidos que esta em causa.

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