John Edwards
Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política, Sociedade
2 Janeiro, 2008, 22:00 |

Concordo com Rui Tavares quando afirma no jornal Público de hoje que John Edwards seria o melhor candidato do partido democrata às eleições presidenciais norte-americanas de Novembro. Mas não acho que tenha menos hipóteses que Hillary Clinton ou Barack Obama.
Pela primeira vez desde a década de 50, nenhum presidente ou vice-presidente será candidato. Desta forma, os dois partidos têm pela frente uma campanha menos dependente do que o habitual face à acção da actual administração. Na campanha para as primárias democratas de 2004, por exemplo, houve muito pouco espaço para debater outras que não as políticas de George Bush: a guerra no Iraque, a defesa dos valores morais, o défice excessivo.
Esta abertura das campanhas tem permitido uma resposta mais directa às especifidades regionais dos eleitores. Isso significa que mesmo que Edwards não consiga um bom resultado em Iowa ou New Hampshire, poderá recuperar em Estados onde o seu discurso político centrado na problemática da pobreza tenha maior ressonância.
É por a sua plataforma estar assente no combate à pobreza que a candidatura de Edwards é a que melhor poderá responder às necessidades mais urgentes da sociedade norte-americana: os prósperos anos 90 não foram suficientes para recuperar do desgaste económico e social da administração Reagan e a guerra no Iraque e as desastrosas políticas de George Bush vieram acentuá-lo.
É verdade que é um enorme risco fazer uma campanha política tendo por base a privação económica, algo que “só” atinge 12% da população, ainda para mais quando muito poucos desses votam. Como se escrevia num artigo publicado no New York Times, em Junho passado: “If Edwards isn’t successful, then Democrats will most likely conclude, once again, that poverty is a losing issue. It took 40 years after Robert Kennedy’s death for another establishment Democrat to summon the courage to build a campaign around economic injustice. If Edwards should win the nomination but lose the White House, it might well be another 40 years before anyone tries again.”
Mas também é verdade que Robert Kennedy foi assassinado antes de se poder avaliar o impacto da sua mensagem. E que a recente crise no mercado hipotecário nos EUA veio lembrar a classe média que a fronteira entre o conforto e a miséria pode ser ténue. Muito ténue.
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[…] John Edwards) Eu acho que Edwards não tem hipótese num palco onde se jogam trunfos mais importantes do ponto […]
“Isso significa que mesmo que Edwards não consiga um bom resultado em Iowa ou New Hampshire, poderá recuperar em Estados onde o seu discurso político centrado na problemática da pobreza tenha maior ressonância.”
Caro João,
Penso que se Edwards não vencer no Iowa ficará quase afastado da corrida. Até ao momento, é no Iowa que Edwards mantêm-se competitivo nas sondagens. Nos outros estados está muito atrás de Obama e de Clinton. Ou ganha “balanço” no Iowa, ou estará arrumado. Se conseguir um segundo lugar, atrás de Obama, até pode poderá ter hipótese.
A única vantagem de Edwards é que está melhor colocado em relação aos seus adversários nas sondagens nacionais contra qualquer republicano. Porque é o que menos opiniões negativas recolhe no eleitorado independente e moderado.
Caro Nuno,
Acho que sabemos muito pouco sobre o que se passa, de facto, nos outros Estados. As sondagens a que se refere são, no máximo, da primeira quinzena de Dezembro. Em alguns desses Estados, nenhum dos candidatos ainda lá foi em campanha. Noutros, há sondagens de Maio, ou Junho, no máximo.
Nesse sentido, essas sondagens podem estar a reflectir mais a notariedade nacional do candidato - repare que Clinton tem vantagem em todos os Estados sobre Edwards, mas também sobre Obama - do que propriamente a intenção informada de voto.
Mas tem razão, se, de facto, Edwards ficar muito aquém de Obama ou Clinton.
[…] apoio na blogosfera de esquerda portuguesa. João Jesus Caetano, do Goodnight Moon, defendeu neste post a sua preferência pelo antigo Senador da Carolina do Norte. É também um dos bloggers de esquerda […]