John Edwards

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
30 Janeiro, 2008, 16:14 |

John Edwards vai anunciar, quando forem 18 horas em Lisboa, a desistência da corrida à nomeação democrata. Faltam pouco mais de 24 horas para o debate entre os candidatos democratas e menos de uma semana para a Super Tuesday.

As razões para esta decisão só Edwards e os conselheiros mais próximos conhecem. No entanto, e quaisquer que elas sejam, o impacto vai para além do partido democrata. Pelo que se viu na Carolina do Sul e em New Hampshire, o discurso de Edwards centrado em torno da problemática da pobreza ressuou pouco com aqueles a quem mais se dirigia. De facto, Edwards era o candidato com a plataforma mais esquerdista, mas uma dinâmica mais complexa do que os estrategas desejam, transformou-o no candidato dos centristas.

Ao abandonar a corrida antes da Super Tuesday, o antigo senador da Carolina do Norte deixa muitos desses eleitores orfãos de referência. Do outro lado, McCain assume-se cada vez mais como o candidato moderado. Algumas das primárias do próximo dia 5 são “abertas”, o que significa que os eleitores registados de um partido podem votar nas primárias do seu ou do outro partido.

Se Edwards era, de facto, o candidato que atraia o eleitorado centrista, a sua saída prematura pode provocar, em alguns estados com primárias “abertas”, um desvio para a candidatura de McCain. Ora, as primárias são excelentes palcos de recrutamento eleitoral. Se esta transferência acontecer, o partido democrata vai ter que ser muito criativo em Novembro.

Comentários

5 Comentários ao artigo “John Edwards”

  1. Hugo Mendes a 30 de Janeiro de 2008 16:29

    João, consideras mesmo que o Edwards era o «candidato que atraía o eleitorado centrista»?

  2. João Jesus Caetano a 30 de Janeiro de 2008 17:41

    Hugo, acho que sim. Pelo menos mais do que seria de esperar tendo em conta a plataforma política que ele defendia. Olha para as exit polls da Carolina do Sul, por exemplo.

    Dos eleitores democratas que defendem a permanência das tropas no Iraque, 41% votaram no Edwards, 37% no Obama e 22% na Clinton.

    Dos republicanos que votaram nas primárias democratas, 43% votaram no Edwards, 37% no Obama e 20% na Clinton.

    Para além de outros dados mais finos, como por exemplo o facto de o Edwards ter melhores resultados junto dos que ganham mais dinheiro.

  3. Hugo Mendes a 30 de Janeiro de 2008 19:15

    Sim, mas a Carolina do Sul está longe de ser um estado muito representativo do universo - não apenas por causa da demografia, mas também porque é um estado com uma relação muito particular com o candidato.

    Não compreendo bem quando afirmas que «Edwards era o candidato com a plataforma mais esquerdista, mas uma dinâmica mais complexa do que os estrategas desejam, transformou-o no candidato dos centristas.»

    No sentido em que ele abandonou o discurso mais populista contra o “corporate greed”, houve uma inflexão. Mas não me parece que o seu ‘novo’ discurso, centrado na guerra à pobreza, ressoe muito com um eleitorado moderado - a nível nacional, claro, que é o que conta.

    Acho francamente que a sua mensagem, se queria atingir as classes médias economicamente inseguras (as tais que podem compor um eleitorado mais moderado), podia ter sido mais bem afinada. Não creio que a “war on poverty” ganhe muitos votos nos EUA - tirando os dos liberais mais abastados com preocupações sociais ou de esquerda, e por isso Edwards até tenha bons resultados junto desse grupo. Mas esses são uma minoria.

  4. João Jesus Caetano a 30 de Janeiro de 2008 19:41

    Hugo,

    As sondagens têm sido muito claras a este respeito: Edwards iria fazer melhor em estados tradicionalmente mais conservadores como Oklahoma, Kansas e Missouri. E teria resultados miseráveis em Nova Iorque e na Califórnia.

    Sobre a “dinâmica mais complexa”, esta diz respeito ao facto extraordinário de os eleitores que mais poderiam beneficiar com as políticas de combate à pobreza - os pobres, maioritariamente afro-americanos - apoiarem um candidato que é o que tem as políticas mais fracas de apoio social.

    Mais ainda. É provável que grande parte dos eleitores de Edwards tenham sido os mesmos de há quatro anos, quando ele apoiava uma plataforma mais centrista. Talvez assim se justifiquem alguns dos resultados das exit polls e as expectativas de melhores resultados em estados mais conservadores.

    É certo que os liberais mais abastados e com preocupações sociais poderiam estar mais sensíveis ao discurso de Edwards. Mas, again, esses estão com Hillary. Em São Francisco, a sede mundial dos liberais-abastados, ninguém votaria em Edwards.

    Ou seja, e acho que tu já o disseste não sei muito bem quando e onde: o problema do Edwards é o espaço já ocupado pela Hillary e pelo Obama.

  5. Dos outros… « Eleições Americanas de 2008 a 1 de Fevereiro de 2008 0:12

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