Expresso: Crise no PSD

Publicado por João a 17 de Abril de 2008 
Arquivado em Expresso, Política

Dos temas que o Expresso abordará na edição em papel de Sábado, realço o destaque dado à actual crise do PSD:

«O ex-ministro da Justiça de Santana Lopes, José Pedro Aguiar Branco, quer directas até final do ano para derrubar Menezes da presidência do PSD. Com menos de um ano de liderança e a pouco mais de um ano das legislativas o Expresso interroga-se sobre a legitimidade de Luís Filipe Menezes enquanto líder do PSD – se continua intacta ou não – e sobre a necessidade ou legitimidade de este ser substituído pelos seus críticos. Para onde vai o principal partido da oposição se não consegue livrar-se de sucessivas crises internas? Como pode funcionar a democracia se os partidos dos chamado “arco do Poder” não conseguem afirmar-se? Os problemas internos são reflexo de insuficiências próprias ou provocados pela estratégia do PS?»

O problema sobre a legitimidade de Luís Filipe Menezes enquanto líder do PSD não deve ser colocado. Ela existe e deve respeitada. O mesmo não se poderá dizer sobre a sua credibilidade enquanto tal [leitura importante: nota mental sobre publicação de posts]. Mas o problema do PSD é bem mais profundo do que a falta de credibilidade do seu líder, e nem sequer é um exclusivo seu.

A forma como os partidos políticos portugueses estão organizados potencia o tipo de crise que o PSD atravessa actualmente. O problema reside, em grande parte, na ausência de grupos de estudo e reflexão que funcionem autonoma e independentemente das estruturas dirigentes. Grupos que produzam informação, que estimulem o debate político, que inovem e promovam a renovação. É a ausência destas estruturas que permite que o PSD de hoje seja muito diferente do PSD de Marques Mendes, que, por sua vez, já o era do de Durão Barroso.

O resultado deste vazio de discussão interna, de compromisso com uma matriz política sustentada na reflexão, é que novos líderes significa, por regra, novos partidos, não novas formas de gerir o mesmo partido. O CDS de Portas não é o mesmo partido de Ribeiro e Castro e o mesmo se pode dizer quando se compara o PS de José Sócrates ao de Ferro Rodrigues.

Dos partidos com representação parlamentar, só os dois mais à esquerda estão imunes a este tipo de crises, mas não pelas melhores razões. O Bloco de Esquerda, porque mantém o mesmo líder desde a sua fundação e não há indícios de renovação. O PCP, porque se mantém fiel a uma doutrina imutável.

[Escrito no contexto de uma colaboração com o Expresso, que me permite comentar antecipadamente alguns dos temas da edição em papel do jornal]

Comentários

Um comentário ao artigo “Expresso: Crise no PSD”

  1. Nota mental sobre publicação de posts : Goodnight Moon a 17 de Abril de 2008 21:01

    […] sempre as notícias antes de carregar em “publicar”. [O post anterior foi escrito já Luís Filipe Menezes se tinha demitido da presidência do […]

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