As três eleições de Novembro nos Estados Unidos
Publicado por João a 23 de Abril de 2008
Arquivado em Estados Unidos, Política
Em Novembro, para além de escolherem o Presidente, os norte-americanos votarão para eleger 35 dos 100 Senadores e os ocupantes de todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes.
Nas últimas eleições intercalares, em 2006, os Democratas recuperaram o controlo da Câmara dos Representantes, maioritariamente Republicana nos 12 anos anteriores, e o crédito foi atribuído à estratégia de Howard Dean, o chairman do partido. Até aí, era prática comum fazer-se campanha só em círculos eleitorais com alguma tradição de vitórias Democratas.
Howard Dean, certamente motivado pelo que lhe tinha sido dado a conhecer durante a sua campanha para as primárias de 2004, campanha essa sustentada pelas bases, decidiu alargar o apoio do partido a todo o território nacional, tendo sido na altura acusado de dispersar recursos. O resultado, esse, não poderia ter sido melhor, e os críticos calaram-se. Foram ganhos 31 lugares, alguns deles em círculos nunca imaginados, e a Câmara dos Representantes voltou a ter maioria Democrata.
A vitória nas primárias de ontem de Hillary Clinton pela margem psicológica dos dez pontos percentuais alimentará, pelo menos por mais algumas semanas, a disputa eleitoral. Muitos consideram esta indecisão prejudicial aos Democratas porque permite ao GOP focar recursos num único candidato, ao mesmo tempo que Clinton e Obama se desgastam. Mas esta análise falha em dois pontos essenciais e ignora um terceiro:
Primeiro, as primárias Democratas continuam a trazer às urnas um número recorde de eleitores. Ontem, na Pensilvânia, voltou a acontecer. Em Novembro, será muito difícil vencer se as bases não estiverem comprometidas com a campanha. Se a decisão já estivesse tomada, muitos destes eleitores que têm participado no processo pós-SuperTuesday não estariam tão motivados.
Em segundo lugar, à medida que a campanha Democrata prossegue, a plataforma política para Novembro, independentemente de quem for o candidato escolhido, vai sendo moldada pela dinâmica eleitoral, respondendo melhor às preocupações de todos os norte-americanos, e não só daqueles que votaram em Iowa ou New Hampshire. As vantagens de uma plataforma mais abragente são óbvias.
Por último, os que consideram esta indecisão negativa para os Democratas, esquecem-se do impacto que uma campanha intensa nos Estados pós-SuperTuesday terá nas outras duas eleições de Novembro: para o Senado e, principalmente, para a Câmara dos Representantes.
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