América polarizada
Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política
13 Janeiro, 2008, 19:38 |
Um dos efeitos perversos da excessiva polarização política da sociedade norte-americana, polarização essa que surge como resposta à actuação da administração Bush, um dos efeitos, dizia eu, é a uniformização da opinião política de oposição. Actualmente, o discurso que apela à mudança assenta numa plataforma que é essencialmente anti-guerra e pró-recuperação-económica e os programas políticos dos três principais candidatos do partido democrata - ver aqui, num excelente dossier do New York Times, ou olhar para o gráfico gerado por este teste -, são muito semelhantes. As diferenças, quando existem, residem mais na operacionalização do que na definição das políticas internas. A nível externo, tudo do mesmo.
Há inúmeras questões interessantes que resultam daqui, obviamente, e irei abordar algumas delas ao longo das próximas semanas. Mas, para já, aquilo que devemos perceber é que quando nós, europeus, mais preocupados com as políticas externas do que com as internas, mostramos preferência por um candidato democrata, estamos, em boa parte, a fazer uma escolha de carácter. É isso que o Daniel Oliveira faz aqui. E quando o Daniel considera que John Edwards procura um nicho de radicalidade que não corresponde ao seu percurso político, está a esquecer-se, primeiro, que Edwards anda há três anos a construir esta plataforma, segundo, que essa radicalização do discurso sobre matérias internas - economia, educação, emprego - não é mais do que uma evidência do que está em causa nas eleições de Novembro, e, terceiro, que é partilhada por Barack Obama e Hillary Clinton.
Comentários
Comente


