A “electability” de Obama
Publicado por João a 11 de Fevereiro de 2008
Arquivado em Estados Unidos, Política
Dos 19 estados em que Barack Obama venceu as primárias/caucuses, dez foram ganhos por George W. Bush, nas eleições de 2004, com vantagens superiores a 15 pontos percentuais. Por muita capacidade que a sua campanha tenha em atrair novos eleitores, para além dos Independentes e dos Republicanos desiludidos, são muitos os votos que nesses estados separam a plataforma tradicional Republicana da Democrata. A menos que algo de muito singular aconteça, os Democratas não conseguirão conquistar nenhum deles em Novembro.
Em cinco dos outros nove estados, a escolha foi feita através dos caucuses, processo eleitoral esse que, pela sua natureza, obriga a um cuidado redobrado na interpretação dos resultados. Para as tornar ainda mais voláteis, esses cinco estados são considerados swing (a vitória de Bush ou Kerry, em 2004, foi inferior a dez pontos percentuais).
Restam quatro: Illinois, de onde Obama era senador, Connecticut e Delaware, estados ricos e tradicionalmente Democratas, e Missouri, o estado-barómetro, onde venceu por um ponto percentual, cerca de dez mil votos.
Dito isto, tenho alguma dificuldade em perceber o argumento de que Barack Obama é o melhor candidato para Novembro (poupem-me às sondagens nacionais; se o voto nacional valesse alguma coisa, os últimos sete anos teriam sido muito diferentes).
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6 Comentários ao artigo “A “electability” de Obama”
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“Por muita capacidade que a sua campanha tenha em atrair novos eleitores, para além dos independentes e dos republicanos desiludidos, são muitos os votos que nesses estados separam a plataforma tradicional Republicana da Democrata”.
Mas Obama não atrai esses eleitores-chave apenas nesses estados. Atrai em todo o país. As sondagens neste momento não nos podem dizer nada sobre Novembro - como não podem dizer as vitórias nas primárias, seja em que estado particular for (o teu raciocínio sobre a irrelvância do estados ganhos por Obama nas primárias valia, se o invertermos, para Clinton também -, mas podem dizer, com alguma segurança - alguma: estamos no campo do palpite sofisticado - , que Obama atrai mais independentes, moderados e swing voters do que Clinton. Dada a consistência desta tendência, acho muito estranho que estivéssemos aqui perante um resultado aleatório. Isto não faz de Obama um melhor candidato que Clinton. Faz dele um candidato que parece operar melhor no terreno que é decisivo para qualquer eleição presidencial.
[…] A “electability” de Obama, João Jesus Caetano, Goodnight Moon […]
“Mas Obama não atrai esses eleitores-chave apenas nesses estados. Atrai em todo o país”.
Hugo, Obama atrai esse eleitorado-chave de forma muito mais evidente em estados fortemente republicanos. É isso que eu quis dizer para sublinhar a ideia que esse apoio pode não ser suficiente para superar a vantagem dos republicanos.
Três exemplos de estados que podem ser importantes em Novembro, ganhos por Clinton, e onde os independentes se dividem de forma mais equitativa:
New Hampshire (com Edwards ainda na corrida): 31% dos independentes para Clinton, 41% para Obama.
Tennessee: 43% Clinton, 47% Obama.
New Jersey: 43% Clinton, 49% Obama.
Talvez, mas a tendência é sempre a mesma, e mesmo onde Clinton ganha, Obama vence nos moderados e independentes, mesmo que não seja por margens avassaladoras. As margens contam menos, parece-me, do que a consistência do fenómeno, porque é esta que revela a sua importância para Novembro - ainda mais num candidato que vai lutar muito bem ao centro como é John Maccain. E não podemos esquecer dos jovens e de outro eleitorado que só vota Obama porque é o candidato que é, e que não votaria Clinton - nalguns casos, por nada deste mundo…
[…] Será muito difícil contrariar a dinâmica de vitória de Obama. Os 14 pontos que os separam no Ohio, e os oito, no Texas, podem evaporar-se num instante. Perante este nível de participação eleitoral e a margem da vitória, num estado que é swing e onde se vota por primária, tenho que reconhecer que Obama poderá ser capaz, em Novembro, de fazer melhor do que aquilo que aqui escrevi. […]
[…] a questão que já aqui tinha levantado. Wisconsin não parece ter sido suficiente para convencer os observadores que Obama será capaz […]