Literacia científica em Portugal (4)
Por João Jesus Caetano | Arquivado em Educação
1 Julho, 2008, 17:51 |
O Luís Pedro tem razão quando afirma que os indicadores usados nos posts desta série (ver leituras complementares) não servem para aferir a excelência dos estudantes portugueses, quando comparados com outros. A afirmação «o sistema português produz estudantes ao nível dos melhores do mundo» é, portanto, imprecisa. Mas a segunda parte da mesma, «o problema persistente — e ímpar — é a incapacidade do sistema em responder às necessidades dos menos capazes», mantem-se factual. Sobre isto, o Hugo Mendes escreveu dois posts (I e II) onde clarifica a sua interpretação, posts esses que são de leitura obrigatória para quem tem seguido este debate [na falta de tempo, escolha-se o último].
Para que fique também claro, e sobre literacia científica aferida em 2006, Portugal não consegue melhor do que 3% dos estudantes no nível 5 e uma percentagem resídual no nível 6. A Finlândia, a mais bem classificada, tem 17% de estudantes no nível 5 e 4% no nível 6. A média da OCDE é 8% e 1%, respectivamente. [só tive conhecimento destes dados agora, através deste relatório]
Não é demais referir que a problemática da desigualdade entre os estudantes portugueses — sustentada por elevadas taxas de retenção — é real. Além disso, a performance dos estudantes portugueses no “ano modal” é muito diferente da média global (é, aliás, o maior gap na OCDE), pelo que os índices globais de literacia em Portugal escondem realidades que convém serem debatidas.
Leituras complementares: Literacia científica em Portugal (1); Literacia científica em Portugal (2); Literacia científica em Portugal (3); Literacia científica em Portugal (5)
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