Literacia científica em Portugal (2)
Por João Jesus Caetano | Arquivado em Educação
25 Junho, 2008, 19:14 |
[As figuras aqui apresentadas são da minha responsabilidade e representam dados estatísticos do PISA 2006 gentilmente cedidos pelo sociólogo Hugo Mendes.]
Segundo o PISA 2006, Portugal ocupa a 29ª posição no ranking de literacia científica de alunos com 15 anos, ranking esse liderado pela Finlândia com 563 pontos. Com melhores índices de literacia que Portugal (474), estão, entre outros, a Estónia (531), a Eslovénia (519), a Hungria (504), a Polónia (498), a Letónia (490) e a Lituânia (488). Este não é, certamente, um cenário simpático para Portugal.
Mas será possível identificar algum indicador que ajude a explicar este resultado?
Como já escrevi, este índice mede a literacia científica de alunos com 15 anos. E este é o primeiro dado importante: alunos com 15 anos, independentemente do ano de escolaridade que frequentam. Em Portugal, a maioria destes alunos frequenta o 10º ano de escolaridade, mas há muitos que frequentam o 9º, o 8º ou o 7º ano; há ainda um número muito residual que frequenta o 11º ano.
Para cada um dos países do estudo, o patamar onde a maior parte dos alunos está é chamado “ano modal”.
Na figura em cima (clicar para abrir numa nova janela), está representada a diferença entre o “indíce global de literacia” e o “indíce modal de literacia” de cada país, em função da percentagem de alunos que frequenta o “ano modal”. Por “indíce modal de literacia” entende-se o resultado obtido pelos alunos com 15 anos que frequentam o “ano modal”.
Em muitos países, a esmagadora maioria dos estudantes frequenta o “ano modal”. Quer isso dizer que a diferença entre o “indíce global de literacia” e o “índice modal de literacia” é praticamente nulo — isso é representado pelo aglomerado de pontos no topo da imagem.
Depois, há países em que cerca de 50% dos estudantes estão no “ano modal”. Mas entre estes, há os que têm uma diferença negativa entre os índices, caso do Luxemburgo (-27), e os que têm uma diferença positiva, caso de Portugal (+54).
No caso do Luxemburgo, e dos outros com diferenças negativas, uma parte considerável dos alunos que não frequentam o “ano modal” frequentam patamares mais avançados, daí que o índice modal seja inferior ao global. No caso de Portugal, é precisamente o oposto: a quase totalidade dos alunos que não estão no “ano modal” frequentam patamares mais atrasados e os seus resultados, obviamente piores, têm um impacto negativo no índice global.
Este é o primeiro indicador que em Portugal existe uma enorme diferença entre bons e maus alunos. De facto, não há outro país onde a diferença seja superior. Mas é possível refinar ainda mais esta análise (ver post seguinte).
Leituras complementares: Literacia científica em Portugal (1); Literacia científica em Portugal (3); Literacia científica em Portugal (4); Literacia científica em Portugal (5)
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2 Comentários ao artigo “Literacia científica em Portugal (2)”
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[…] na caixa dos comentários deste post “euLer(2)” o João deu-se ao trabalho (aqui, aqui e aqui) de fazer umas contas com os dados a que teve acesso relativos PISA 2006 sobre literacia. As […]
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