Fazer bem o nosso trabalho ©

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Economia 
21 Maio, 2008, 12:21 |

Este texto devia fazer parte do plano nacional de leitura.

[© João Pinto e Castro]

Comentários

4 Comentários ao artigo “Fazer bem o nosso trabalho ©”

  1. Rui MCB a 21 de Maio de 2008 23:44

    Sim como exemplo infeliz e injusto onde se distorcem as palavras lidas e onde se lançam acusações que ainda estou por perceber como esta que lá se lê
    “2. O INE compara explicitamente no seu comunicado de há dias dados que não são comparáveis.”

    Ainda estou para saber a que comunicado do INE se referem.

    E esse teu título também tem piada. Se quiseres elaborar, agradecia.

  2. Rui MCB a 22 de Maio de 2008 0:35

    Uma areiazinha para a engrenagem se me permites João.
    Deixo-a aqui porque lá no outro poiso ainda nã recebi prvas de haver quem tenha ouvidos limpos.

    Sendo certo que o INE não corrige efeitos de calendário (algo que se tem revelado um desafio constante por essa Europa fora e que está longe de ser um processo linear e de resultados sólidos e reprodutiveis de país para país) pensemos então intuitivamente em qual poderia ser o efeito de o 1º trimestre ter tido menos 1 dia útil.

    Menos um dia útil poderá explicar menos consumo privado certo? Er… Talvez, a menos que por exemplo tenhas tido uma páscoa nesse trimestre. Aí o efeito depende de país para país. Há paises onde a existência da páscoa funciona como promotor do consumo. ALguns economistas estavam à espera de um tombo no consumo privado e contudo… Em suma, esta é dificil de responder. Até porque, mesmo se não tivesse havido páscoa e se o dia útil estiver por troca com um sábado também não é linear que o consumo desça. Qual o efeito líquido?

    Bom, adiante. Passemos para o investimento. Menos um dia útil significa menos um dia para investir. Sim, é provável que aqui o efeito líquido seja negativo, menos um dia de actividade na construção, nas fábricas, etc. Mas mesmo assim se calhar saber se choveu mais ou menos que em igual período de ano anterior pode ser tão ou mais relevante que um dia útil. E contudo são poucos os países que integram essa info nas suas correcções. Mais uma vez, cada caso é um caso. E o efeito líquido pode nem sempre pender para onde esperamos.

    Mas vamos agora para as exportações, menos um dia útil significa menos um dia para vender. Certo. Mas significa também menos um dia para importar. Ora nos últimos meses temos tido uma aceleração das últimas e uma desaceleraçao das primeiras. Se estas observações são um prenúncio de uma tendência, menos um dia de comércio externo terá tido um efeito líquido…? Pois, também é difícil, se calhar até foi bom para o PIB.

    Há ainda a variação de existências: o que não se exporta mas é ou está produzido não desaparece por termos menos um dia útil, simplesmente muda de rubrica nas contas do PIB.

    Se e quando o INE tiver condições e o patrocínio político para dar este salto de detalhe na análise das contas (e garanto-te que este e os anteriores governos e as pessoas são “culpados” mais que indirectos pela escassez de desenvolvimento e inovação no seio do INE) teremos uma resposta um pouco mais clara e haverá um pouco menos margem para tantas dúvidas. Mas mesmo hoje, sem o escudo de algum fancy model é possível conviver sem grandes traumas com os números que temos. “Basta” apresentá-los honestamente sem querer que pareçam o que não são. E quanto a isso o INE tem cumprido sem mácula.
    É que olhando lá para fora e falando com os nossos colegas que já fazem estes tratamentos (vamos tendo mobilização e condições no INE para ir observando, o que já não é mau) descobrem-se coisas que surpreendem o senso comum e os menos treinados para pensar a economia. Numa economia pouco dominada pela indústria, assente cada vez mais no turismo, menos um dia útil e mais um dia de descanso pode revelar-se muito produtivo e ositivo para o PIB. É assim na Austria, por exemplo. Será assim em Portugal?

    Que tal este comentário como leitura complementar ao plano nacional de leitura?

  3. João Jesus Caetano a 22 de Maio de 2008 7:12

    Rui,

    O teu último comentário é muito pertinente e deveria complementar o texto do Afonso Mesquita.

    Queria dizer o seguinte:

    Tenho perfeita consciência da complexidade inerente ao tratamento estatístico dos dados sobre economia.

    O título deste post tem mais a ver com a resposta alarmista que foi promovida pelos “especialistas” de opinião económica e pelos partidos da oposição, do que propriamente com o trabalho do INE. Acho que é isso que está patente na última frase do texto no Câmara Corporativa.

    No entanto, e sendo conhecido, como tu afirmas, o problema do “número dos dias úteis”, não posso deixar de registar alguma perplexidade pela correção não ser promovida pelo INE. Há certamente, e o INE terá os recursos humanos competentes para tal, formas de modelar o impacto que esse efeito tem nos indicadores económicos. Custa-me a aceitar que isso é assim tão complexo, como o INE defendeu perante o Jornal de Negócios. Aliás, o teu comentário ilustra alguns caminhos que um tal modelo correctivo poderia explorar.

    Um abraço

  4. miguel carvalho a 22 de Maio de 2008 12:23

    Rui,
    bom texto. Publique-o também no Câmara Corporativa.

    Já agora aproveito para repetir e completar o que deixei lá. Não tenho dúvidas que o INE toma a atitude mais certa perante as dificuldades que tem.

    Quando oiço críticas sobre qualquer série de dados estatísticos (seja INE, Eurostat ou seja o que for), o meu comentário é sempre: o importante é que a recolha seja sistemática. Assim as falhas também o são, o que torna tudo muito mais fácil de analizar.

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