Fake Elite
Não fui ao concerto dos The National.
Ontem, quando a Ana me enviou por email o link para o vídeo que postei, eu não sabia quem eram os The National. Ou melhor, não sabia que sabia quem eram os The National. Até que a Mariana me lembrou, por SMS, que eu tinha o álbum Boxer no iTunes do portátil onde vos escrevo estas palavras. Hoje, foi a vez de o Hugo me chamar a atenção para o facto de a música no vídeo que a Ana me enviou por email ser a primeira no alinhamento do álbum que a Mariana gravou no meu computador.
Estou a sentir-me assim um bocadinho como a Maria Filomena Mónica, ontem à noite, na SIC-Notícias. Como saio pouco de casa…
Jesse Helms e a felicidade (2)
Jesse Helms, senador da Carolina do Norte durante 30 anos, referia-se à University of North Carolina (UNC) — a mais antiga e uma das mais prestigiadas universidades públicas dos Estados Unidos — como a «University of Negroes and Communists».
O ataque aos espaços académicos é uma característica das franjas mais conservadoras e retrógradas da sociedade. No caso particular de Jesse Helms, os vários campuses da universidade estadual, principalmente a sua flagship em Chapel Hill, eram vistos como espaços onde a liberdade académica contrariava a ignorância, ignorância essa que sustentava a difusão das ideias profundamente discriminatórias que defendeu ao longo da vida.
Jesse Helms lidava mal com a emancipação das mulheres, com a liberdade de orientação sexual, com a afirmação dos afro-americanos e com a educação das massas. Que durante 30 anos tenha sido apoiado por metade dos eleitores da Carolina do Norte, compreende-se pela estrutura demográfica do estado. Mas que Helms se tenha tornado uma referência política para alguns em Portugal, já é um mistério para mim.
Leitura complementar: Jesse Helms e a felicidade
Dilatação do tempo: o efeito geográfico
Periodo de tempo decorrido ate hoje, desde que foi solicitado um esclarecimento a DGCI: 165 dias;
Periodo de tempo decorrido ate hoje, desde que foi requerida a impugnacao de uma autuacao a ANSR: 160 dias;
Periodo de tempo decorrido ate hoje, desde que foi enviada uma sugestao a CMO para reabilitacao de um parque infantil: 75 dias;
Tempo medio de espera de um visitante para atribuicao de uma conta de acesso a rede wireless de uma universidade norte-americana: 14 segundos.
Tudo isto é fado
A mais recente lei do tabaco vai ter o mesmo destino que o artigo do codigo da estrada que proibe o estacionamento em cima do passeio e em segunda fila.
[Adenda: tudo isto deixaria de ser fado, viesse a acontecer assim.]
Geração espontânea de emigrantes portugueses no Reino Unido
Segundo a edicao de hoje do Diario de Noticias, o numero de emigrantes portugueses na Europa subiu 50% entre 2000 e 2006. Se em 2000 havia 419 mil portugueses a viver em paises europeus, os 640 mil de 2006 indiciam, certamente, um exodo so explicado pela “crise”. Mas ha um problema. O crescimento de 50% citado pelo Diario de Noticias e espurio e resulta, em grande parte, da falta de dados sobre o numero de portugueses no Reino Unido em 2000.
Segundo uma tabela publicada na pagina 2 do DN, nao havia emigrantes portugueses na nova patria de Cristiano Ronaldo em 2000 e 2001, para logo de seguida, em 2002, passar a haver 94 mil. E aquilo a que se chama “geracao espontanea de portugueses”.
Uma analise mais cuidada, contudo, permite estimar em 75-80 mil o numero de portugueses no Reino Unido no ano de 2000 (assumindo um crescimento constante de 8-9 mil/ano). Assim, o numero de emigrantes portugueses na Europa tera aumentado de 500 mil em 2000 para 640 mil em 2006, ou seja, tera crescido 28% e nao os “catastroficos” 50%.
Abril

Lonely chicks
Segundo a CNN, Thomas Kohnstamm, autor que contribuiu para 12 dos guias de viagem da Lonely Planet, disse a imprensa australiana: «They [Lonely Planet] didn’t pay me enough to go to Colombia. I wrote the book in San Francisco. I got the information from a chick I was dating who was an intern in the Colombian consulate».
Este país não é para crianças
Foi dificil comprar bilhetes para um dos Concertos para a Familia dos Dias da Musica em Belem, no CCB. Na sexta-feira, a novissima bilheteira online funcionava aos solucos, o numero de telefone das informacoes nao estava atribuido (vim depois a saber que em vez de 212… e 213…, embora ninguem tenha corrigido o erro durante os tres dias que durou o programa). Acabei por ir a Belem: somos tres, dois adultos e uma crianca de 22 meses. O que!?, uma crianca de 22 meses paga bilhete? Sim, toda a gente paga, dizem-me. Adiante.
Domingo, 30 minutos antes da hora marcada para o concerto, ficamos a saber que afinal criancas ate aos oito anos nao pagam e devolvem-nos os tres euros. Menos mal. O problema, agora, e transportar um carrinho de bebe para a sala Almada Negreiros. Ha algumas rampas, mas por razoes misteriosas nem todas as escadas as tem. O teletransporte ainda nao e uma realidade e carrega-los e connosco (ha competencias que se adquirem excusivamente com a paternidade). Esta quase.
Ops!, “nao sao permitidos carrinhos de bebe nesta sala, e favor voltar para tras (escadas-sem-rampa) e deixa-lo no bengaleiro”. No way, minha senhora; as familias, sabe, fazem-se transportar com estes objectos, portanto, se nao se importa, o carrinho fica aqui mesmo (ao meu lado, a um outro pai e dito que sim, que sao permitidos carrinhos de bebe na sala – as arbitrariedades do costume).
Finalmente, estamos na sala. E-nos pedido para irmos para as ultimas filas. Somos uma familia, este e um dos varios Concertos para a Familia que constam no programa, mas as filas da frente sao para quem nao tem criancas. Cinco minutos depois do trio nova-iorquino de jazz ter iniciado a performance, nao ha crianca que resista ao fascinio pelo contrabaixo e a frente de palco e okupada. Ouvem atentamente, ate que uma ou outra chama pela mae ou pede uma bolacha. Shiu, shiu!, ouve-se vindo da seccao dos pseudo-puristas. Sai a primeira da sala, sai a segunda, e um incomodo ser crianca.
Calçada Portuguesa, literalmente

Ora aqui esta uma visao sobre a calcada portuguesa que partilho inteiramente.