Pensilvânia: colégio eleitoral

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
22 Abril, 2008, 10:17 | Comente

Uma vitória de Hillary Clinton por mais de dez pontos percentuais nas primárias Democratas de hoje alimentará por mais algum tempo a ideia que ela é a mais elegível dos dois candidatos. As últimas sondagens dão-lhe uma margem de seis pontos, mas a volatilidade é máxima.

Desde que aqui publiquei uma projecção de resultados do colégio eleitoral para os cenários Clinton vs. McCain e Obama vs. McCain, tem havido flutuações consideráveis. O elemento comum, e expectável, é que o resultado final, mais uma vez, depende fortemente dos resultados em pouco mais do que dez dos Estados. Basicamente, todas as vitórias de Obama no Sul, com excepção da Carolina do Sul, representarão pouco nas eleições de Novembro. Ohio, Florida, Missouri, Minnesota, Wisconsin, Washington, Oregon, Nevada, Colorado, Novo México, Carolinas (?) e Novo Hampshire são os actuais battleground states. Mas ainda faltam sete meses.

As projecções para o colégio eleitoral, segundo o sítio electoral-vote.com, são as seguintes:
Obama 269 - McCain 254 - Empate 15 (mapa aqui)
Clinton 289 - McCain 239 - Empate 10 (mapa aqui)

Obama liberal ou conservador?

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
16 Abril, 2008, 10:37 | 3 Comentários

O Nuno Gouveia tem feito um acompanhamento notável das eleições norte-americanas. Foi através do seu blogue e dos comentários a alguns dos posts aí escritos que tive conhecimento da mais recente polémica da campanha.

Num discurso em San Francisco vedado à comunicação social e perante multi-milionários norte-americanos, Barack Obama terá afirmado, referindo-se à dificuldade da sua campanha em fazer chegar a mensagem política à classe operária da Pennsylvania:

«You go into these small towns in Pennsylvania and, like a lot of small towns in the Midwest, the jobs have been gone now for 25 years and nothing’s replaced them. […] And they fell through the Clinton administration and the Bush administration, and each successive administration has said that somehow these communities are gonna regenerate, and they have not. […] And it’s not surprising then they get bitter, they cling to guns or religion or antipathy to people who aren’t like them or anti-immigrant sentiment or anti-trade sentiment as a way to explain their frustrations».

Muitos interpretam estas palavras como um sinal claro que Barack Obama é um liberal. Afinal, a dificuldade que este diz sentir é aquela que o partido Democrata tem várias vezes enfrentado: embora o discurso político dos Democratas - e a sua prática (mais sobre isto aqui e aqui) - seja no sentido de promover o bem estar e a segurança económica da classe média, esta é mais solidária com a plataforma política do partido Republicano. Um exemplo pessoal, meramente ilustrativo: em 2004, os pais de um colega meu diziam-me que embora não se sentissem confortáveis com muitas das políticas da administração Bush não poderiam votar num partido que defende o aborto.

Voltando às palavras de Obama. Dois apontamentos. Primeiro, é de estranhar a ausência de referências a Ronald Reagan - ou melhor, ela está lá, mas disfarçada («for 25 years»). Afinal, a “revolução Republicana” foi iniciada por Reagan e o panorma político actual ainda é um seu reflexo. Mais: as políticas económicas dos anos 80 tiveram um impacto negativo na classe média que só foi mimimizado pela singularidade dos anos 90. Em segundo lugar, Barack Obama não é um liberal, longe disso (o discurso foi feito perante liberais multi-milionários de San Francisco, que são uma espécie de eleitores muito peculiares). Ao longo da sua carreira enquanto Senador em Washington, Obama teve um registo de voto dos mais conservadores entre os Democratas. Parece contra-intuitivo, de facto, tantas foram as vezes que ouvimos dizer “Obama é liberal”, mas leia-se este texto e atente-se na tabela aí apresentada.

Gang ranking

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Portugal, Sociedade 
11 Abril, 2008, 15:11 | Comente

Quando algo semelhante a isto acontecer em Portugal - sim, porque ao ritmo a que as coisas se passam, sei lá, meu deus, deve estar para breve - é que os jornalistas do Correio da Manhã e do 24 Horas vão salivar.

Anti-americanismo doméstico: dedicado a JPP e JMF

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Portugal 
1 Abril, 2008, 13:35 | Comente

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[A federação norte-americana de baseball tem estado atenta aos vídeos que são colocados no Youtube e garantido que são retirados por “violação dos direitos de autor”. Como não tenho disponibilidade para editar este post com o último link disponível, convido o leitor mais curioso a procurar por “Bush booed” no motor de pesquisa do Youtube se o vídeo em cima tiver sido retirado.]

Colégio Eleitoral

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
27 Março, 2008, 15:44 | 1 Comentário

Segundo o sítio electoral-vote.com, estes são os actuais cenários para o colégio eleitoral:

Obama 228 - McCain 301 - Empate 9 (mapa aqui)

Clinton 246 - McCain 248 - Empate 44 (mapa aqui)

Basta olhar para os dois mapas para perceber que o resultado das eleições de Novembro vai ser determinado pelo que acontecer nos mesmos 10 ou 15 Estados de sempre. Só a Carolina do Sul - caso Obama seja o nomeado Democrata - é que não está habituada a este estatuto de swing state.

Inversão do tempo

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
26 Março, 2008, 23:36 | Comente

Spare change?

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Economia, Estados Unidos, Política 
25 Março, 2008, 22:58 | 6 Comentários

[Clicar na figura para ampliar]

A História diz-nos que Martin Luther King lutou arduamente pelos direitos civis, luta essa que motivou a aprovação pelo Congresso norte-americano do “Civil Rights Act” de 1964. Quatro anos depois, foi assassinado. O que é raramente referido, e a memória colectiva não reteve, é o que MLK fez entre 1965 e 1968.

Pouco meses antes de assassinado em Memphis, King e a Southern Christian Leadership Conference organizaram a Poor People’s Campaign que teve o seu momento mais visível numa marcha em Washington, D.C.. Durante a campanha, foi exigida mais justiça económica para as comunidades pobres dos Estados Unidos. MLK sabia que as recentes leis anti-discriminação significavam muito pouco para aqueles que nada tinham. O objectivo primeiro da campanha era a aprovação pelo Congresso da “Poor People’s Bill of Rights”, o que nunca veio a acontecer.

No final dos anos 60, a pobreza nos Estados Unidos atingia muitos afro-americanos, mas também as comunidades rurais caucasianas dos Apalaches (Georgia, Carolinas, Virgínias), as comunidades emergentes de hispânicos ao longo dos estados-fronteira (Sul da Califórnia, Arizona, Novo México, Texas) e a maioria dos indío-americanos.

Há alguns dias, Barack Obama fez um discurso sobre a “racial divide”. Muitos viram neste discurso uma personificação de MLK, louvando a coragem do acto. De repente, estávamos em 1965 e era como se nada tivesse acontecido nos Estados Unidos nos últimos 40 anos. Obama é um orador estupendo: é cativante, apelativo, energético. E o tema da “racial divide” é apaixonante. Mas é o tema errado para o actual contexto. E por isso, não posso deixar de ver neste discurso uma justificação sofisticada para a sua associação ao Reverendo Wright.

Do que Obama podia ter falado de forma mais clara é da “economical divide”. Daquilo que motivou MLK nos últimos três anos de vida, Robert Kennedy nas primárias Democratas de 1968 e John Edwards nos últimos dois anos. A discriminação económica é uma realidade nos EUA. Atinge principalmente afro-americanos, hispânicos e indío-americanos, mas também asiáticos e caucasianos. Reduzir os conflitos sociais nos EUA às diferenças étnicas é ficar um passo aquém do necessário. Como em 1968.

America

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos 
23 Março, 2008, 16:27 | Comente

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Pode estar a viver uma das suas maiores crises financeiras, de luto por uma guerra que é um equívoco e de costas para a doutrina política de um dos menos populares presidentes da sua história, mas quando aqui se chega continua a sentir-se aquela Serenidade que não sente em mais lado nenhum do mundo com densidade populacional não desprezável.

The Gang That Couldn’t Think Straight (*)

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Economia, Estados Unidos 
18 Março, 2008, 07:33 | Comente

A actual crise financeira norte-americana é mais um elemento que suporta a teoria que a administração Bush é patologicamente incapaz de resolver ou antecipar seja o que for, muito porque as suas ideias políticas estão fundamentalmente erradas.

Escreve Paul Krugman: «Between 2002 and 2007, false beliefs in the private sector — the belief that home prices only go up, that financial innovation had made risk go away, that a triple-A rating really meant that an investment was safe — led to an epidemic of bad lending. Meanwhile, false beliefs in the political arena — the belief of Alan Greenspan and his friends in the Bush administration that the market is always right and regulation always a bad thing — led Washington to ignore the warning signs».

(*) Expressão lida no blogue de Paul Krugman.

March Madness

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos 
17 Março, 2008, 15:30 | 1 Comentário

Foi ontem anunciado o esquema de jogos para o torneio universitário de basketball, nos Estados Unidos. Noutro país do mundo, isto não seria notícia. Nos Estados Unidos, é o início do March Madness: as três semanas mais loucas do desporto norte-americano.

São 64 equipas universitárias, divididas por quatro zonas. No fim, na primeira semana de Abril, sobrarão quatro para disputar a Final Four, em San Antonio, no Texas, de onde sairá o campeão. À partida, há quatro cabeças de série: University of North Carolina (UNC), Kansas, Memphis e University of Califonia at Los Angeles (UCLA). Muito provavelmente, uma ou mais ficarão pelo caminho antes da fase final do torneio. Adivinhar os vencedores dos jogos é o passatempo nacional até quinta-feira, dia do primeiro jogo — até lá, não haverá norte-americano que não esteja a preencher um bracket. No meu, UNC vence o torneio, e o seu rival Dook é eliminado na segunda ronda.

Preço de um bilhete para a final: $400, no mínimo.

Bargain

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Economia, Estados Unidos 
13 Março, 2008, 11:00 | 3 Comentários

Com um euro a valer 1,6 dólares, a minha ida aos Estados Unidos ameaça tornar-se no equivalente a uma passagem pela feira de Carcavelos, mas sem os defeitos.

Sorriso invertido

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
11 Março, 2008, 15:15 | Comente

Read My Lips, pelo António Luís Vicente, no Codfish Waters.

A questão essencial para a campanha de Obama

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
6 Março, 2008, 08:30 | Comente

Repete-se a questão que já aqui tinha colocado. Wisconsin parece não ter sido suficiente para convencer os observadores que Obama será capaz de vencer em Estados fundamentais para uma vitória do partido Democrata nas eleições de Novembro.

Do New York Times: «Mr. Obama once again failed to administer an electoral coup de grâce, and so allowed a tenacious rival to elude his grasp. Now, after appearing nearly invincible just last week, he faces questions about his toughness and vulnerabilities — never mind seven weeks of tramping across Pennsylvania, the site of the next big primary showdown. His goal is to prove he can win states vital to a Democratic victory in November».

Adenda: Vasco Rato faz aqui, e sobre a electability de Obama e Clinton, uma leitura incompleta que ignora a importância dos swing states, levando-o a concluir que a candidatura de Hillary é um embuste.

Adenda 2: No blogue do Paul Krugman, um gráfico muito interessante sobre a evolução da electability de Obama e Clinton desde a Super Tuesday até hoje. No eixo vertical, a medida “Obama electability advantage index ™ — (Obama minus McCain) - (Clinton minus McCain)”:

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A América que a Atlântico teima em ignorar

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Portugal, Sociedade 
5 Março, 2008, 17:02 | 1 Comentário

As senhoras e os senhores da Atlântico são peritos em difundir mitos sobre a forma como o Estado e a Sociedade norte-americana estão organizados. O último, refere-se ao financiamento estatal de organizações da sociedade civil. Para Pedro Marques Lopes, nos Estados Unidos, essas organizações vivem sem a ajuda do Estado:

Ou seja, não fosse o bendito Estado e não havia maneira de as pessoas [em Portugal] se organizarem em função dos seus interesses. Os Ingleses e os Americanos sim, são capazes“.

Comecemos por aqui (formato PDF). Este documento, produzido pela Casa Branca, lista, nas suas 85 páginas, oportunidades de financiamento federal para associações de cidadãos. Na página 17 - e já que foi o financiamento às associações de pais a motivar a discussão - escreve-se o seguinte sobre o programa de financiamento do Departamento de Educação às associações de pais:

«The purpose of this program is to support parental assistance and resource centers that provide training, information and support to parents of children through school age […] Nonprofit organizations, including faith-based organizations, are eligible to apply».

Pergunta: Quanto dinheiro alocou o orçamento federal norte-americano para a rubrica em cima, em 2006?

Resposta: 39 milhões e seiscentos mil dólares.

The Comeback Kids

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
5 Março, 2008, 08:08 | Comente

Exit polls

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
5 Março, 2008, 08:08 | Comente

Ontem, através das exit polls, estimei que Clinton teria 50% dos votos no Texas e 53% no Ohio. Os resultados apurados dão-lhe, até ao momento, 51% no Texas (com 91% das assembleias de voto escrutinadas) e 55% no Ohio (92%). O suficiente para a CNN a declarar vencedora nesses dois Estados. Junte-se Rhode Island, e a dinâmica de vitória de Obama foi transferida, numa noite, para Hillary. É a comeback kid, já como Bill o tinha sido em 1992.

Texas: exit polls

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
5 Março, 2008, 03:29 | Comente

Repetindo o exercício anterior, agora para o Texas, Clinton tem 50% dos votos. Em Novembro, nos boletins de voto, surgirá o nome de John McCain e, em baixo, um espaço em branco com uma nota de rodapé: Yet to be determined.

Vermont: os anti-americanos

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
5 Março, 2008, 01:08 | Comente

Os habitantes de Brattleboro, no Vermont, votaram favoravelmente uma resolução que autoriza a polícia local a deter os cidadãos George W. Bush e Dick Cheney caso estes visitem a cidade.

Ohio: exit pools

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
5 Março, 2008, 00:57 | 1 Comentário

A CNN considera a disputa em Ohio too close to call, mas uma análise das exit polls permite calcular que Clinton terá entre 52 e 53% dos votos. A margem de erro não é conhecida, e uma vitória de Obama ou uma vitória mais ampla de Hillary é ainda possível.

Texas: expectativas

Por João Jesus Caetano | Arquivado em Estados Unidos, Política 
4 Março, 2008, 16:16 | Comente

Variação, ao longo dos últimos três dias, das expectativas colectivas acerca de uma vitória de Clinton (cima) ou de Obama (baixo) nas primárias do Texas, de acordo com a Intrade Prediction Markets. No eixo vertical, “price” pode ser lido como “probabilidade de vitória [x100]”.

clinton.jpg

obama.jpg

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