NYTimes: Jan Chipchase
Can the Cellphone Help End Global Poverty? : «Chipchase is 38, a rangy native of Britain whose broad forehead and high-slung brows combine to give him the air of someone who is quick to be amazed, which in his line of work is something of an asset. For the last seven years, he has worked for the Finnish cellphone company Nokia as a “human-behavior researcher.” He’s also sometimes referred to as a “user anthropologist.” To an outsider, the job can seem decidedly oblique. His mission, broadly defined, is to peer into the lives of other people, accumulating as much knowledge as possible about human behavior so that he can feed helpful bits of information back to the company — to the squads of designers and technologists and marketing people who may never have set foot in a Vietnamese barbershop but who would appreciate it greatly if that barber someday were to buy a Nokia».
Sobre a crise financeira
Em Portugal, ninguém tem escrito sobre a crise financeira norte-americana tão bem como o João Pinto e Castro. Estes três posts são disso exemplo.
Spare change?
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A História diz-nos que Martin Luther King lutou arduamente pelos direitos civis, luta essa que motivou a aprovação pelo Congresso norte-americano do “Civil Rights Act” de 1964. Quatro anos depois, foi assassinado. O que é raramente referido, e a memória colectiva não reteve, é o que MLK fez entre 1965 e 1968.
Pouco meses antes de assassinado em Memphis, King e a Southern Christian Leadership Conference organizaram a Poor People’s Campaign que teve o seu momento mais visível numa marcha em Washington, D.C.. Durante a campanha, foi exigida mais justiça económica para as comunidades pobres dos Estados Unidos. MLK sabia que as recentes leis anti-discriminação significavam muito pouco para aqueles que nada tinham. O objectivo primeiro da campanha era a aprovação pelo Congresso da “Poor People’s Bill of Rights”, o que nunca veio a acontecer.
No final dos anos 60, a pobreza nos Estados Unidos atingia muitos afro-americanos, mas também as comunidades rurais caucasianas dos Apalaches (Georgia, Carolinas, Virgínias), as comunidades emergentes de hispânicos ao longo dos estados-fronteira (Sul da Califórnia, Arizona, Novo México, Texas) e a maioria dos indío-americanos.
Há alguns dias, Barack Obama fez um discurso sobre a “racial divide”. Muitos viram neste discurso uma personificação de MLK, louvando a coragem do acto. De repente, estávamos em 1965 e era como se nada tivesse acontecido nos Estados Unidos nos últimos 40 anos. Obama é um orador estupendo: é cativante, apelativo, energético. E o tema da “racial divide” é apaixonante. Mas é o tema errado para o actual contexto. E por isso, não posso deixar de ver neste discurso uma justificação sofisticada para a sua associação ao Reverendo Wright.
Do que Obama podia ter falado de forma mais clara é da “economical divide”. Daquilo que motivou MLK nos últimos três anos de vida, Robert Kennedy nas primárias Democratas de 1968 e John Edwards nos últimos dois anos. A discriminação económica é uma realidade nos EUA. Atinge principalmente afro-americanos, hispânicos e indío-americanos, mas também asiáticos e caucasianos. Reduzir os conflitos sociais nos EUA às diferenças étnicas é ficar um passo aquém do necessário. Como em 1968.
The Gang That Couldn’t Think Straight (*)
A actual crise financeira norte-americana é mais um elemento que suporta a teoria que a administração Bush é patologicamente incapaz de resolver ou antecipar seja o que for, muito porque as suas ideias políticas estão fundamentalmente erradas.
Escreve Paul Krugman: «Between 2002 and 2007, false beliefs in the private sector — the belief that home prices only go up, that financial innovation had made risk go away, that a triple-A rating really meant that an investment was safe — led to an epidemic of bad lending. Meanwhile, false beliefs in the political arena — the belief of Alan Greenspan and his friends in the Bush administration that the market is always right and regulation always a bad thing — led Washington to ignore the warning signs».
(*) Expressão lida no blogue de Paul Krugman.
Bargain
Com um euro a valer 1,6 dólares, a minha ida aos Estados Unidos ameaça tornar-se no equivalente a uma passagem pela feira de Carcavelos, mas sem os defeitos.
Fizemo-lo por serviço público, mas cobramos à hora
Quem afirmou [fonte]: «Ninguém pagou o estudo [comparativo das opções Chelas-Barreiro e Beato-Montijo]. Fizemo-lo por serviço público. Espero que o Estado me venha a pagar isto, porque estamos a contribuir com valor para uma solução».
1) Prof. Dr. José Manuel Viegas, Presidente do Conselho de Administração da TIS, Consultores em Transportes, Inovação e Sistemas, S.A.;
2) Prof. Dr. José Manuel Viegas, Professor Catedrático de Transportes do Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico.
Transplante de medula
O que é verdadeiramente fantástico naquilo que o João Pinto e Castro refere aqui - que o presidente da reserva federal norte-americana não sabia o que se tinha passado no banco francês Société Générale quando decidiu baixar as taxas de juro em 0,75 pontos percentuais - o que é fantástico, dizia eu, é que a acção de um único indivíduo, sentado à frente de um terminal de computador, em Paris, num contexto de enorme nervosísmo dos mercados financeiros pode condicionar a política monetária de um país como os Estados Unidos. Como é que um sistema sobrevive quando se mostra assim tão vulnerável?
Roller coaster
Acho que o Rui Branco já o escreveu no seu excelente blogue Economia e Finanças, mas à luz do que se tem passado nas últimas horas, nunca é demais referi-lo: não seria de bom tom os media esperarem pelo fecho dos mercados accionistas antes de comentarem sobre as suas subidas ou descidas?



