O Planeta Relativo

Momento em que o Mundo conheceu mais alguns dos seus habitantes e estes o Mundo [via Google News].

Liberal-pessimismo

O Antonio Luis Vicente escreveu, no Codfish Waters, um post interessante sobre as limitacoes praticas do liberalismo.

[A dimensao telegrafica dos meus posts, ultimamente, e justificada por uma menor disponibilidade para aqui escrever. Mas como o futuro esta no twitter, pode ser que com isso eu esteja a adquirir uma nova competencia de tipo 2.0.]

Sprawl

O Luis Rainha acha que e possivel um futuro sem combustiveis fosseis. E que esse futuro se prepara, entre outras coisas, com «atrair mais gente para os centros das cidades; [e] impedir o alastramento destas». Eu nao sei, porque o Luis nao o diz, em que cidades e que ele esta a pensar. Provavelmente, anda a ler autores norte-americanos (nos dias que correm, e muito dificil ler outros em tempo util e com o minimo de qualidade, eu sei). Mas o problema e que ha especifidades da realidade norte-americana que sao isso mesmo: especifidades.

Na maior parte das cidades da Europa Ocidental, e em Lisboa, em particular, e manifestamente impossivel trazer mais pessoas para o centro (deveriamos ser rigorosos e definir “centro”, mas adiante). Uma das diferencas mais evidentes entre as cidades norte-americanas e as europeias, e a dispersao espacial da populacao que e muito superior nas primeiras. Ora, quando nos E.U.A. se fala em reduzir o urban sprawl, e comum tomar os modelos europeus de ocupacao territorial e de mobilidade como bons exemplos: nao so vivemos e trabalhamos mais perto uns dos outros, como as redes de transportes publicos sao mais abrangentes.

Na lista das cidades mais densas do mundo, a primeira norte-americana, Los Angeles, aparece em nonagesimo lugar. A frente de L.A., estao quase todas as capitais da Asia, da America do Sul, da Europa Ocidental e de Africa. Portanto, e mais uma vez, quando se le que o sprawl e um problema com elevados custos energeticos, tem que se ter em conta que a sua dimensao, nos E.U.A., e muitissimo superior a dos outros paises.

Gasolina a 50 cêntimos

Depende da eficiencia da refinaria, e certo, mas com um barril (160 litros) de petroleo produzem-se aproximadamente 80 litros de gasolina e 80 litros de outros produtos derivados [1,2]. Um barril de petroleo custa hoje, em Londres, pouco mais de 80 euros [3,4]. Como metade desse barril serve para fazer gasolina e a outra metade para produzir outros produtos, a materia prima para produzir 80 litros de gasolina custa, efectivamente, 40 euros.

Assim, se o preco da gasolina estivesse unicamente indexado ao preco do barril de petroleo, estariamos hoje a pagar 50 centimos por litro, em vez dos 1,50 euros. Tres vezes menos, portanto. So que a gasolina, como e obvio, nao e espontaneamente gerada a partir do petroleo.

Dito isto, nao percebo porque e que seria de esperar que um aumento anual de 39% na materia prima se reflectisse, na mesma proporcao, no preco da gasolina, como o Ministro das Financas, segundo uma noticia do Publico/Lusa, parece sugerir. Ou tera sido o jornalista a interpretar livremente?

[Fontes: 1, 2, 3, 4]

Dilatação do tempo: o efeito geográfico

Periodo de tempo decorrido ate hoje, desde que foi solicitado um esclarecimento a DGCI: 165 dias;

Periodo de tempo decorrido ate hoje, desde que foi requerida a impugnacao de uma autuacao a ANSR: 160 dias;

Periodo de tempo decorrido ate hoje, desde que foi enviada uma sugestao a CMO para reabilitacao de um parque infantil: 75 dias;

Tempo medio de espera de um visitante para atribuicao de uma conta de acesso a rede wireless de uma universidade norte-americana: 14 segundos.

The best political team on television™

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[Via JCD; ™ CNN]

O meu gene esquerdo

No New York Times: «Political scientists at the University of California, San Diego have gone another step, identifying specific genes associated with voter participation and partisanship

Perpetuar o estado-das-coisas

Acho espantoso que haja quem venha chamar pseudo-ciencia ao estudo conduzido pelo Conselho Nacional de Educacao que, entre outras coisas, conclui: a transicao de um ambiente escolar de monodocencia para um ambiente de pluridocencia e brusca e deve ser repensada.

Que nao percebam o obvio, ainda va la. O problema e quando essa aparente ignorancia esconde por tras uma profunda matriz ideologica que mais nao defende do que a perpetuacao do estado-das-coisas, estado esse que lhes e, obviamente, vantajoso.

Fazer bem o nosso trabalho ©

Este texto devia fazer parte do plano nacional de leitura.

[© Joao Pinto e Castro]

Lost in the mysterious universe without having any purpose

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