Este país não é para crianças
Foi dificil comprar bilhetes para um dos Concertos para a Familia dos Dias da Musica em Belem, no CCB. Na sexta-feira, a novissima bilheteira online funcionava aos solucos, o numero de telefone das informacoes nao estava atribuido (vim depois a saber que em vez de 212… e 213…, embora ninguem tenha corrigido o erro durante os tres dias que durou o programa). Acabei por ir a Belem: somos tres, dois adultos e uma crianca de 22 meses. O que!?, uma crianca de 22 meses paga bilhete? Sim, toda a gente paga, dizem-me. Adiante.
Domingo, 30 minutos antes da hora marcada para o concerto, ficamos a saber que afinal criancas ate aos oito anos nao pagam e devolvem-nos os tres euros. Menos mal. O problema, agora, e transportar um carrinho de bebe para a sala Almada Negreiros. Ha algumas rampas, mas por razoes misteriosas nem todas as escadas as tem. O teletransporte ainda nao e uma realidade e carrega-los e connosco (ha competencias que se adquirem excusivamente com a paternidade). Esta quase.
Ops!, “nao sao permitidos carrinhos de bebe nesta sala, e favor voltar para tras (escadas-sem-rampa) e deixa-lo no bengaleiro”. No way, minha senhora; as familias, sabe, fazem-se transportar com estes objectos, portanto, se nao se importa, o carrinho fica aqui mesmo (ao meu lado, a um outro pai e dito que sim, que sao permitidos carrinhos de bebe na sala – as arbitrariedades do costume).
Finalmente, estamos na sala. E-nos pedido para irmos para as ultimas filas. Somos uma familia, este e um dos varios Concertos para a Familia que constam no programa, mas as filas da frente sao para quem nao tem criancas. Cinco minutos depois do trio nova-iorquino de jazz ter iniciado a performance, nao ha crianca que resista ao fascinio pelo contrabaixo e a frente de palco e okupada. Ouvem atentamente, ate que uma ou outra chama pela mae ou pede uma bolacha. Shiu, shiu!, ouve-se vindo da seccao dos pseudo-puristas. Sai a primeira da sala, sai a segunda, e um incomodo ser crianca.
Teoria do vazio
De cada vez que a bola chega ao Yannick Djalo, pode acontecer uma de duas coisas:
1. Nada;
2. Nada, com desvio e golo.
Desde que o Derlei se lesionou no inicio da epoca, que o Paulo Bento esta convencido que a segunda hipotese e mais provavel que a primeira.
Introdução ao Spin
Pergunta-comentario de Mario Crespo a Joaquim Aguiar, ha minutos, na SIC-noticias: «Portanto o Partido Socialista esta em crise, ele proprio».
Dia da Terra
[Imagem captada pela Mars Rover Spirit]

As três eleições de Novembro nos Estados Unidos
Em Novembro, para alem de escolherem o Presidente, os norte-americanos votarao para eleger 35 dos 100 Senadores e os ocupantes de todos os 435 lugares da Camara dos Representantes.
Nas ultimas eleicoes intercalares, em 2006, os Democratas recuperaram o controlo da Camara dos Representantes, maioritariamente Republicana nos 12 anos anteriores, e o credito foi atribuido a estrategia de Howard Dean, o chairman do partido. Ate ai, era pratica comum fazer-se campanha so em circulos eleitorais com alguma tradicao de vitorias Democratas.
Howard Dean, certamente motivado pelo que lhe tinha sido dado a conhecer durante a sua campanha para as primarias de 2004, campanha essa sustentada pelas bases, decidiu alargar o apoio do partido a todo o territorio nacional, tendo sido na altura acusado de dispersar recursos. O resultado, esse, nao poderia ter sido melhor, e os criticos calaram-se. Foram ganhos 31 lugares, alguns deles em circulos nunca imaginados, e a Camara dos Representantes voltou a ter maioria Democrata.
A vitoria nas primarias de ontem de Hillary Clinton pela margem psicologica dos dez pontos percentuais alimentara, pelo menos por mais algumas semanas, a disputa eleitoral. Muitos consideram esta indecisao prejudicial aos Democratas porque permite ao GOP focar recursos num unico candidato, ao mesmo tempo que Clinton e Obama se desgastam. Mas esta analise falha em dois pontos essenciais e ignora um terceiro:
Primeiro, as primarias Democratas continuam a trazer as urnas um numero recorde de eleitores. Ontem, na Pensilvania, voltou a acontecer. Em Novembro, sera muito dificil vencer se as bases nao estiverem comprometidas com a campanha. Se a decisao ja estivesse tomada, muitos destes eleitores que tem participado no processo pos-SuperTuesday nao estariam tao motivados.
Em segundo lugar, a medida que a campanha Democrata prossegue, a plataforma politica para Novembro, independentemente de quem for o candidato escolhido, vai sendo moldada pela dinamica eleitoral, respondendo melhor as preocupacoes de todos os norte-americanos, e nao so daqueles que votaram em Iowa ou New Hampshire. As vantagens de uma plataforma mais abragente sao obvias.
Por ultimo, os que consideram esta indecisao negativa para os Democratas, esquecem-se do impacto que uma campanha intensa nos Estados pos-SuperTuesday tera nas outras duas eleicoes de Novembro: para o Senado e, principalmente, para a Camara dos Representantes.
Expresso: Cientistas em Portugal
A edicao de amanha do Expresso destaca a actividade cientifica em Portugal e compara-a com a de outros paises. Constata o obvio, que a ciencia, por aqui, e na sua maioria feita nas universidades e organismos publicos e vai a procura das empresas portuguesas que mais apostam em ciencia e tecnologia. Um tema interessante, que motiva um breve comentario sobre o enorme potencial que geramos na ultima decada, que aqui deixo.
Ha muitos anos que a formula para o sucesso e a mesma: promover a inovacao e o desenvolvimento cientifico e tecnologico de Portugal. Algumas coisas tem sido bem feitas, outras nem por isso.
O numero de bolsas de doutoramento atribuidas pela Fundacao para a Ciencia e a Tecnologia cresceu quase 50% em 12 anos, sinal evidente que se apostou muito na formacao qualificada de recursos humanos. Mas esse investimento nao foi acompanhado por politicas necessarias para o aproveitamento do potencial que gerou.
As universidades resistem as transformacoes e o Estatuto da Carreira Docente Universitaria continua sem ser revisto, alimentado o inbreeding — uma das caracteristicas das universidades portuguesas que mais minam a actividade cientifica de qualidade. As tentativas de dinamizar a ciencia atraves, por exemplo, da criacao dos Laboratorios Associados, ou do Programa Ciencia 2007, pecam pela falta de sustentacao. No primeiro caso, depois de uma explosao na criacao de laboratorios, as regras de financimanto deterioraram-se e o futuro deste modelo e incerto. No segundo, contratar centenas de novos cientistas e uma ideia excelente, mas nao se percebe porque nao faze-lo de forma sustentada e intervalada. De repente, abriu-se uma janela de oportunidade que se fechou logo a seguir. Quem na altura (primeiro semestre de 2007) estivesse ainda numa fase importante da sua formacao, tem agora que aguardar por outro programa semelhante que nao se sabe se acontecera este ano, para o ano, ou nunca mais.
Fora das universidades e laboratorios publicos, a actividade cientifica ainda e reduzida. Aqui, e a transformacao do tecido economico portugues que alimenta a aposta das empresas na inovacao e contratacao de recursos humanos qualificados, que por sua vez promovem essa transformacao: as industrias farmaceutica, vinicola, biomedica e de aplicacoes informaticas estao na vanguarda da inovacao em Portugal, mas a esmagadora maioria das empresas resiste a ideia que um doutorado e uma mais-valia.
Durante os ultimos sete ou oito anos, a Portuguese American Postgraduate Society (PAPS) tem vindo a promover, nos EUA, foruns de discussao sobre Ciencia, Tecnologia e Inovacao. Um dos diagnosticos comeca a ganhar cada vez mais relevancia: mais do que a falta de investimento, e a forma pouco sustentada como o investimento e promovido que dificulta o aproveitamento do enorme potencial de recursos humanos qualificados que Portugal gerou na ultima decada.
[Escrito no contexto de uma colaboracao com o Expresso, que me permiti comentar antecipadamente alguns dos temas da edicao em papel do jornal]
Blog review
O renascido Canhoto vai recuperando, aos poucos, contribuicoes dos colaboradores: Paulo Pedroso questiona o criterio editorial do Publico que conduziu a capa da edicao de hoje e encontra uma possivel, mas preocupante, resposta.
No Margens de Erro, Pedro Magalhaes chama a atencao para os comentarios pouco informados que tem surgido sobre os resultados de um estudo que ele e Jesus Sanz Moral promoveram acerca das atitudes e comportamentos politicos dos jovens em Portugal.
Quando os elevadores param
As 11 horas da noite de uma sexta-feira, em Outubro de 1999, Nicholas White estava a trabalhar num suplemento da Business Week quando fez uma pausa para fumar um cigarro. Ao regressar, entrou no elevador numero 30 de uma das torres do Rockefeller Center, em Manhattan. A caminho do 43? andar, o elevador parou. As imagens (condensadas) que a camara de seguranca captou durante as 41 horas seguintes podem ser vistas aqui. [via VideosAver]
Pensilvânia: colégio eleitoral
Uma vitoria de Hillary Clinton por mais de dez pontos percentuais nas primarias Democratas de hoje alimentara por mais algum tempo a ideia que ela e a mais elegivel dos dois candidatos. As ultimas sondagens dao-lhe uma margem de seis pontos, mas a volatilidade e maxima.
Desde que aqui publiquei uma projeccao de resultados do colegio eleitoral para os cenarios Clinton vs. McCain e Obama vs. McCain, tem havido flutuacoes consideraveis. O elemento comum, e expectavel, e que o resultado final, mais uma vez, depende fortemente dos resultados em pouco mais do que dez dos Estados. Basicamente, todas as vitorias de Obama no Sul, com excepcao da Carolina do Sul, representarao pouco nas eleicoes de Novembro. Ohio, Florida, Missouri, Minnesota, Wisconsin, Washington, Oregon, Nevada, Colorado, Novo Mexico, Carolinas (?) e Novo Hampshire sao os actuais battleground states. Mas ainda faltam sete meses.
As projeccoes para o colegio eleitoral, segundo o sitio electoral-vote.com, sao as seguintes:
Obama 269 – McCain 254 – Empate 15 (mapa aqui)
Clinton 289 – McCain 239 – Empate 10 (mapa aqui)
John McCain?
Ninguem reparou, porque de facto o interesse esta todo do lado Democrata, embora haja quem lhe chame desgaste. Ninguem reparou, dizia eu, mas na passada terca-feira, para alem das primarias Democratas na Pensilvania, houve tambem primarias Republicanas. No boletim de voto constavam John McCain, mas tambem Ron Paul e Mike Huckabee. Votaram 807 mil Republicanos, o que e um numero surpreendente tendo em conta que o Senador do Arizona ja reuniu o numero de delegados suficientes para garantir a nomeacao. Mas mais surpreendente e que desses 807 mil, 220 mil tiveram a preocupacao de ir as urnas votar em Paul ou Huckabee. Contra o escolhido McCain, portanto.
