Sorriso invertido
Read My Lips, pelo António Luís Vicente, no Codfish Waters.
Streptococcus pyogenes
Quatro notas rápidas, que a febre não me permite muito mais:
1) Este post do João Pinto e Castro é brilhante.
2) Este post do Paulo Pinto Mascarenhas é absolutamente ridículo e fala por si. Alguma direita mais tradicional ainda tem muita dificuldade em lidar com alguns assuntos.
3) A PSP estimou em 80 mil o número de manifestantes de sábado. Os sindicatos dizem que foram 100 mil. Nestas alturas, as discrepâncias são expectáveis e naturais. O que já não é muito natural é o líder do maior partido da oposição, com ambição de poder, referir, no seu discurso, o número avançado pelos sindicatos em vez do número avançado pela PSP. Será isto o anunciado desmantelamento do Estado? [Actualização: A PSP acabou por admitir a presença de 100 mil manifestantes, corrigindo as suas estimativas iniciais, segundo esta notícia da Lusa. O meu comentário deixa, obviamente, de fazer sentido.]
4) A frase de ordem dos professores é: “Assim não se pode ser Professor”. Posso estar enganado — esta febre não me permite muito mais do que isto –, mas tenho a sensação que “Professor” se escreve “professor”.
A direita partidária é bipolar
Por um lado, defendem o rigor, chamam facilitismo às revisões curriculares, e acusam o Ministério de massificar o ensino público. Por outro, colocam-se ao lado dos sindicatos num ataque desmesurado ao principal instrumento de garantia de qualidade no ensino público.
Que outro mecanismo temos à nossa disposição para medir a eficiência na transmissão dos conteúdos, para além da avaliação da capacidade pedagógica de quem os transmite? A avaliação não existe para atacar a dignidade dos professores, como muita vezes se ouviu hoje. Está lá, isso sim, para os ajudar a ser melhores profissionais.
Pensei que a direita partidária portuguesa fosse apologista da excelência.
Afinal, quem tem andado a tapar os ouvidos?
O Expresso do passado Sábado deu o mote, ao publicar, na primeira página, um “fluxograma” do processo de avaliação dos professores, sabendo, no entanto, que esse não era da responsabilidade do Ministério da Educação. Quinta-feira, foi a vez da Visão produzir uma capa maldosa, como só o novo jornalismo português consegue ser. Mas além de maldosa, é profundamente injusta. Perante o actual ambiente de contestação, a ministra tem-se desdobrado em entrevistas, esclarecendo, sempre de forma muito clara, as dúvidas sobre o processo de avaliação. A Grande Entrevista de ontem, na RTP1, foi mais um dos exemplos recentes. Se há alguém que insiste em manter os ouvidos tapados, esses são os professores e, muito principalmente, os agentes sindicais que se dizem representá-los.
Vista de Marte

[Imagem: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona]
A questão essencial para a campanha de Obama
Repete-se a questão que já aqui tinha colocado. Wisconsin parece não ter sido suficiente para convencer os observadores que Obama será capaz de vencer em Estados fundamentais para uma vitória do partido Democrata nas eleições de Novembro.
Do New York Times: «Mr. Obama once again failed to administer an electoral coup de grâce, and so allowed a tenacious rival to elude his grasp. Now, after appearing nearly invincible just last week, he faces questions about his toughness and vulnerabilities — never mind seven weeks of tramping across Pennsylvania, the site of the next big primary showdown. His goal is to prove he can win states vital to a Democratic victory in November».
Adenda: Vasco Rato faz aqui, e sobre a electability de Obama e Clinton, uma leitura incompleta que ignora a importância dos swing states, levando-o a concluir que a candidatura de Hillary é um embuste.
Adenda 2: No blogue do Paul Krugman, um gráfico muito interessante sobre a evolução da electability de Obama e Clinton desde a Super Tuesday até hoje. No eixo vertical, a medida “Obama electability advantage index ™ — (Obama minus McCain) - (Clinton minus McCain)”:

A América que a Atlântico teima em ignorar
As senhoras e os senhores da Atlântico são peritos em difundir mitos sobre a forma como o Estado e a Sociedade norte-americana estão organizados. O último, refere-se ao financiamento estatal de organizações da sociedade civil. Para Pedro Marques Lopes, nos Estados Unidos, essas organizações vivem sem a ajuda do Estado:
“Ou seja, não fosse o bendito Estado e não havia maneira de as pessoas [em Portugal] se organizarem em função dos seus interesses. Os Ingleses e os Americanos sim, são capazes“.
Comecemos por aqui (formato PDF). Este documento, produzido pela Casa Branca, lista, nas suas 85 páginas, oportunidades de financiamento federal para associações de cidadãos. Na página 17 - e já que foi o financiamento às associações de pais a motivar a discussão - escreve-se o seguinte sobre o programa de financiamento do Departamento de Educação às associações de pais:
«The purpose of this program is to support parental assistance and resource centers that provide training, information and support to parents of children through school age […] Nonprofit organizations, including faith-based organizations, are eligible to apply».
Pergunta: Quanto dinheiro alocou o orçamento federal norte-americano para a rubrica em cima, em 2006?
Resposta: 39 milhões e seiscentos mil dólares.
The Comeback Kids

Exit polls
Ontem, através das exit polls, estimei que Clinton teria 50% dos votos no Texas e 53% no Ohio. Os resultados apurados dão-lhe, até ao momento, 51% no Texas (com 91% das assembleias de voto escrutinadas) e 55% no Ohio (92%). O suficiente para a CNN a declarar vencedora nesses dois Estados. Junte-se Rhode Island, e a dinâmica de vitória de Obama foi transferida, numa noite, para Hillary. É a comeback kid, já como Bill o tinha sido em 1992.
Texas: exit polls
Repetindo o exercício anterior, agora para o Texas, Clinton tem 50% dos votos. Em Novembro, nos boletins de voto, surgirá o nome de John McCain e, em baixo, um espaço em branco com uma nota de rodapé: Yet to be determined.
Vermont: os anti-americanos
Os habitantes de Brattleboro, no Vermont, votaram favoravelmente uma resolução que autoriza a polícia local a deter os cidadãos George W. Bush e Dick Cheney caso estes visitem a cidade.
Ohio: exit pools
A CNN considera a disputa em Ohio too close to call, mas uma análise das exit polls permite calcular que Clinton terá entre 52 e 53% dos votos. A margem de erro não é conhecida, e uma vitória de Obama ou uma vitória mais ampla de Hillary é ainda possível.
Texas: expectativas
Variação, ao longo dos últimos três dias, das expectativas colectivas acerca de uma vitória de Clinton (cima) ou de Obama (baixo) nas primárias do Texas, de acordo com a Intrade Prediction Markets. No eixo vertical, “price” pode ser lido como “probabilidade de vitória [x100]”.


Fizemo-lo por serviço público, mas cobramos à hora
Quem afirmou [fonte]: «Ninguém pagou o estudo [comparativo das opções Chelas-Barreiro e Beato-Montijo]. Fizemo-lo por serviço público. Espero que o Estado me venha a pagar isto, porque estamos a contribuir com valor para uma solução».
1) Prof. Dr. José Manuel Viegas, Presidente do Conselho de Administração da TIS, Consultores em Transportes, Inovação e Sistemas, S.A.;
2) Prof. Dr. José Manuel Viegas, Professor Catedrático de Transportes do Departamento de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico.
«A maneuver we practice very often»
Oliver A., piloto da Lufthansa que no sábado, em Hamburgo, foi responsável pela manobra do Airbus A320 que a seguir se mostra: «The landing was challenging because of the wind. As we were about to touch down, a gust of wind pressed the left wing towards the ground. We pulled up immediately. A maneuver we practice in training very often».
Dificultismo
O Alexandre Homem Cristo acha que não se deve retirar conteúdos difíceis dos programas das disciplinas. É irrelevante que os professores não sejam capazes de os transmitir, ou que os alunos não estejam preparados para os assimilar. Se é difícil, deve constar nos programas. Ponto. Digo-vos uma coisa: nunca mais leio um texto onde apareça escrito “antigamente”.
Os SMS’s ainda não chegaram, mas não deve faltar muito
Um professor catedrático há 40 minutos numa mesa do bar do departamento faz ouvir a sua opinião junto de outros cinco catedráticos: «isto [o novo regime jurídico das instituições de ensino superior] que se passa connosco é um bocado como o que se passa com os professores no secundário; temos que nos desviar da nossa função essencial de investigadores e professores e perdemos tempo».
Super terça-feira, round II
Tem sido frequente Barack Obama conseguir melhores resultados que os previstos pelas sondagens. Isto levar-nos-ia a concluir que, dos dois candidatos Democratas, é Obama quem mais atrai os indecisos de última hora. Mas este artigo de Jay Cost, escrito a partir de uma análise cuidada das exit polls, mostra o contrário. Ora, este é mais um indicador de que as sondagens têm vindo a subestimar o eleitorado de Obama. O mais certo é que os modelos de previsão não estão a medir adequadamente os novos eleitores, que, por serem “novos”, são menos previsíveis.
Assim, muito provavelmente, o empate no Texas e a vantagem de Clinton no Ohio que as sondagens prevêm actualmente, irão corresponder, amanhã, a uma vitória de Obama no primeiro e a uma vitória menos folgada de Clinton no segundo. Como esta é quem mais atrai o eleitorado indeciso, o vídeo lançado recentemente pela sua campanha vem no sentido de ampliar essa vantagem.
O interessante disto é que é, efectivamente, irrelevante. Explico-me: a engenharia eleitoral do Texas e do Ohio fazem com que seja necessário um candidato conseguir mais de 60-65% dos votos para alocar mais delegados que o outro. Ora, a menos que as companhias que promovem as sondagens estejam de tal forma erradas que o melhor é os seus CEO’s se reformarem, nem Barack Obama nem Hillary Clinton conseguirão uma vantagem tão grande no Texas ou no Ohio.
Assim, amanhã, ao fim do dia, a diferença no número de delegados alocados aos candidatos será a mesma de hoje. Ninguém vai perder, nem ganhar. Há quem considere isto negativo para o partido Democrata porque adia a sua decisão, ao mesmo tempo que o partido Republicano se foca no apoio a McCain. Eu não estou tão certo disso. Se alguma coisa tem sido diferente nestas primárias, é a forma como a mensagem política tem chegado a mais eleitores. A eleitores de Estados onde, tradicionalmente, quando votam nas primárias, já tudo está decidido. Ora, o eleitorado atrai-se e fideliza-se através da campanha. Que o diga McCain, que sendo já o virtual nomeado Republicano tem sentido uma crescente dificuldade em fazer chegar a sua mensagem aos independentes, mais atentos e entusiasmados com a luta entre Obama e Clinton.


