Buracos-negros, dragões e tribunais
Um auto-denominado investigador em “teoria do tempo” espanhol e um especialista norte-americano em segurança radiológica interpuseram uma providência cautelar para evitar o início da actividade do Large Hadron Collider (LHC), no CERN, prevista para Agosto. Segundo o pedido feito num tribunal do Havai, os cientistas e as várias comissões que estudaram a segurança do laboratório ignoraram o risco que hipotéticos buracos-negros resultantes da colisão de protões a energias muito elevadas representam para o nosso planeta, nomeadamente a Terra ser sugada por um desses. Em declarações ao New York Times, Nima Arkani-Hamed, do Institude for Advanced Study de Princeton, lembrou ainda que “[There is some minuscule probability] the Large Hadron Collider might make dragons that might eat us up“.
Stop!
Grand Central Terminal, Nova Iorque:
Trafalgar Square, Londres:
[Via VideosAver]
Colégio Eleitoral
Segundo o sítio electoral-vote.com, estes são os actuais cenários para o colégio eleitoral:
Obama 228 - McCain 301 - Empate 9 (mapa aqui)
Clinton 246 - McCain 248 - Empate 44 (mapa aqui)
Basta olhar para os dois mapas para perceber que o resultado das eleições de Novembro vai ser determinado pelo que acontecer nos mesmos 10 ou 15 Estados de sempre. Só a Carolina do Sul - caso Obama seja o nomeado Democrata - é que não está habituada a este estatuto de swing state.
Inversão do tempo
Spare change?
[Clicar na figura para ampliar]
A História diz-nos que Martin Luther King lutou arduamente pelos direitos civis, luta essa que motivou a aprovação pelo Congresso norte-americano do “Civil Rights Act” de 1964. Quatro anos depois, foi assassinado. O que é raramente referido, e a memória colectiva não reteve, é o que MLK fez entre 1965 e 1968.
Pouco meses antes de assassinado em Memphis, King e a Southern Christian Leadership Conference organizaram a Poor People’s Campaign que teve o seu momento mais visível numa marcha em Washington, D.C.. Durante a campanha, foi exigida mais justiça económica para as comunidades pobres dos Estados Unidos. MLK sabia que as recentes leis anti-discriminação significavam muito pouco para aqueles que nada tinham. O objectivo primeiro da campanha era a aprovação pelo Congresso da “Poor People’s Bill of Rights”, o que nunca veio a acontecer.
No final dos anos 60, a pobreza nos Estados Unidos atingia muitos afro-americanos, mas também as comunidades rurais caucasianas dos Apalaches (Georgia, Carolinas, Virgínias), as comunidades emergentes de hispânicos ao longo dos estados-fronteira (Sul da Califórnia, Arizona, Novo México, Texas) e a maioria dos indío-americanos.
Há alguns dias, Barack Obama fez um discurso sobre a “racial divide”. Muitos viram neste discurso uma personificação de MLK, louvando a coragem do acto. De repente, estávamos em 1965 e era como se nada tivesse acontecido nos Estados Unidos nos últimos 40 anos. Obama é um orador estupendo: é cativante, apelativo, energético. E o tema da “racial divide” é apaixonante. Mas é o tema errado para o actual contexto. E por isso, não posso deixar de ver neste discurso uma justificação sofisticada para a sua associação ao Reverendo Wright.
Do que Obama podia ter falado de forma mais clara é da “economical divide”. Daquilo que motivou MLK nos últimos três anos de vida, Robert Kennedy nas primárias Democratas de 1968 e John Edwards nos últimos dois anos. A discriminação económica é uma realidade nos EUA. Atinge principalmente afro-americanos, hispânicos e indío-americanos, mas também asiáticos e caucasianos. Reduzir os conflitos sociais nos EUA às diferenças étnicas é ficar um passo aquém do necessário. Como em 1968.
America
Pode estar a viver uma das suas maiores crises financeiras, de luto por uma guerra que é um equívoco e de costas para a doutrina política de um dos menos populares presidentes da sua história, mas quando aqui se chega continua a sentir-se aquela Serenidade que não sente em mais lado nenhum do mundo com densidade populacional não desprezável.
O “actualmente”
Sobre o conflito entre uma aluna e a sua professora numa escola do Porto, já sabemos — e estávamos à espera — que os defensores do “antigamente” consideram as imagens ilustrativas da degradação do espaço escolar. Obviamente, estes conflitos não são exclusivos do “actualmente” e só uma variante de Alzheimer pode explicar o fenómeno de esquecimento colectivo a que estamos a assistir. (Abstenho-me de descrever, por serem exemplos extremos, os conflitos típicos nas salas de aula de uma escola de Setúbal que frequentei, mas o João Pinto e Castro e o Miguel Abrantes lembram outros mais comuns.)
Talvez fosse interessante discutir o que aconteceu depois. A professora, certamente incomodada, não comunicou o sucedido à Escola. Segundo o Expresso, o conselho directivo desta veio a saber através da DREN, que por sua vez teve conhecimento através de um email. Ora, as escolas deviam ter — e não sei se esta em particular tem — estruturas competentes e de confiança a que os docentes possam recorrer com a maior das discrições quando sujeitos a situações desta natureza. Os ambientes escolares nunca serão isentos de conflitos — nem o eram “antigamente” — e é a forma como estes são resolvidos que ajuda a distinguir as boas das más escolas. Quanto menos localizada for a sua resolução, menos confiança será depositada no sistema e outros conflitos serão potenciados.
Calçada Portuguesa, literalmente

Ora aqui está uma visão sobre a calçada portuguesa que partilho inteiramente.
Regresso ao passado

Ainda faltam dois ou três dias até voltar a actualizar o blogue com a frequência desejada. Felizmente, ninguém deve andar muito atento por esta altura. Espero que o Sporting ganhe amanhã.
Arthur C. Clarke

Morreu um pedaço da imaginação. Para além dos satélites geoestacionários, do “2001: Odisseia no Espaço” e de dezenas de livros de ficção científica, Arthur C. Clarke foi o responsável por uma série para televisão que a RTP transmitiu num período da sua história em que não havia espaço para astrólogos nas folhas de pagamentos.
The Gang That Couldn’t Think Straight (*)
A actual crise financeira norte-americana é mais um elemento que suporta a teoria que a administração Bush é patologicamente incapaz de resolver ou antecipar seja o que for, muito porque as suas ideias políticas estão fundamentalmente erradas.
Escreve Paul Krugman: «Between 2002 and 2007, false beliefs in the private sector — the belief that home prices only go up, that financial innovation had made risk go away, that a triple-A rating really meant that an investment was safe — led to an epidemic of bad lending. Meanwhile, false beliefs in the political arena — the belief of Alan Greenspan and his friends in the Bush administration that the market is always right and regulation always a bad thing — led Washington to ignore the warning signs».
(*) Expressão lida no blogue de Paul Krugman.
March Madness
Foi ontem anunciado o esquema de jogos para o torneio universitário de basketball, nos Estados Unidos. Noutro país do mundo, isto não seria notícia. Nos Estados Unidos, é o início do March Madness: as três semanas mais loucas do desporto norte-americano.
São 64 equipas universitárias, divididas por quatro zonas. No fim, na primeira semana de Abril, sobrarão quatro para disputar a Final Four, em San Antonio, no Texas, de onde sairá o campeão. À partida, há quatro cabeças de série: University of North Carolina (UNC), Kansas, Memphis e University of Califonia at Los Angeles (UCLA). Muito provavelmente, uma ou mais ficarão pelo caminho antes da fase final do torneio. Adivinhar os vencedores dos jogos é o passatempo nacional até quinta-feira, dia do primeiro jogo — até lá, não haverá norte-americano que não esteja a preencher um bracket. No meu, UNC vence o torneio, e o seu rival Dook é eliminado na segunda ronda.
Preço de um bilhete para a final: $400, no mínimo.
Redshift
Desvio para o Vermelho é o blogue do Pedro, actor no Visões Úteis, físico nas mudanças de cena, benfiquista “por tragédia” e apreciador de arroz de pato (isto ele não diz, mas eu garanto que é).
Not for sale

Enigma
No «Avante!» de hoje, Domingos Mealha escreve um longo artigo sobre a marcha dos professores. Começa assim: «A multidão que no sábado, feita rio em dia de chuva forte, desceu a Avenida da Liberdade (…)».
Não encontro consenso sobre o significado da expressão «feita rio em dia de chuva forte», pelo que deixo algumas alternativas:
1) É um piscar de olhos subtil ao Manuel Alegre;
2) Houve uma desatenção do revisor do «Avante!», que terá misturado um texto sobre as inundações em Setúbal com o da manifestação dos professores;
3) É uma metáfora: «feita rio (100 mil manifestantes) em dia de chuva forte (50 mil esperados)»;
4) É um exagero, na medida em que o céu esteve semi-nublado, mas confere-lhe uma dimensão dramática só ao nível dos clássicos;
5) Acompanhado à guitarra pelo Barata Moura, dá uma lindíssima cantiga de embalar.
[Este é mais um dos muitos textos anti-ME que não apresenta nenhuma alternativa às reformas propostas.]
Streamlining Math (às vezes designado por facilitismo)
Do NYTimes, sobre a necessidade de rever os curricula de matemática do ensino básico, nos Estados Unidos, para que estes se aproximem das top-performing nations:
«The panel said that math curriculums from preschool to eighth grade should be streamlined to focus on key skills. […] Closely tracking an influential 2006 report by the National Council of Teachers of Mathematics, the panel said that the math curriculum should include fewer topics, and then spend enough time on each of them to make it is learned in depth and need not be revisited in later grades. This is how top-performing nations approach the curriculum».
«Clareza epistemológica»

«Não posso estar ao mesmo tempo em todo o lado deste país, mas onde faço sentir a minha influência pequenas ilhas paradisíacas de clareza epistemológica brotam como ursos-pardos na ilha de kodiak durante a desova do salmão», maradona.
PSD: Mudar Portugal

Bargain
Com um euro a valer 1,6 dólares, a minha ida aos Estados Unidos ameaça tornar-se no equivalente a uma passagem pela feira de Carcavelos, mas sem os defeitos.
Funny Time of Year
Beth Gibbons & Rustin Man, “Funny Time of Year”.



