One Laptop per Child

Hoje estive a explorar um destes: é simplesmente fantástico. O projecto One Laptop per Child mostra como um grupo de pessoas fortemente dedicadas, motivadas e competentes pode promover coisas extraordinárias.

Creches

Foi recentemente anunciada a decisão de construir 75 novas creches nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto com o objectivo de aproximar a sua taxa de cobertura deste tipo de equipamentos sociais (56%) à média nacional (77%).

Como pai que colocou recentemente o filho de 20 meses numa creche, sinto a obrigação de me substituir aos drs. Santana Lopes e Paulo Portas, que ontem, no debate Parlamentar dedicado ao tema, tiveram prestações lamentáveis. Esta medida agora anunciada deve ser acompanhada por outras que ajudem a promover a qualidade e a segurança do tempo passado pelas crianças nestes espaços. Cabe ao governo garantir isso mesmo.

1. É de importância fundamental definir rigorosa e inequivocamente como estes equipamentos são construídos. Na creche do meu filho, que entrou em funcionamento há seis meses, o espaço de recreio, à altura de um primeiro andar, não tinha vedação, o chão era de cimento e havia pilares de madeira assentes em estruturas de aço com parafusos à vista. Passei muitas horas a enviar cartas para aqui e para ali para garantir que estas falhas seriam corrigidas. Para alguns dos meus interlocutores neste processo, não parecia que estivéssemos perante um problema;

2. É obrigatório apostar na formação qualificada dos auxiliares de educação, que são quem efectivamente passa mais tempo com as crianças. A boa vontade e o “jeitinho” podem não ser suficientes para garantir um acompanhamento adequado numa altura tão importante no desenvolvimento das crianças;

3. Em colaboração com o Instituto Ricardo Jorge, fazer um levantamento exaustivo das práticas diárias nestes espaços que podem condicionar a saúde das crianças. Muitas das constipações, gastroentrites, e outros episódios frequentes seriam evitáveis com práticas mais cuidadosas. A formação das pessoas envolvidas no acompanhamento das crianças passaria igualmente por aqui. O impacto destas más práticas na saúde das crianças é evidente e reflecte-se, depois, em horas perdidas de trabalho dos pais e em idas desnecessárias aos centros de saúde;

4. Por último, uma maior proteção laboral aos pais que perante situações de doença dos filhos tenham que os acompanhar. E isto tem também muito a ver com o ponto anterior. Situações laborais precárias levam os pais, muitas vezes, a não poder acompanhar as crianças doentes e a deixá-las na creche, quando era aconselhável que não o fizessem.

Algumas observações sobre as primárias de ontem

As vitórias de Barack Obama em Virginia, Maryland e D.C., embora esperadas, transportam elementos novos: Pela primeira vez, Obama competiu com Hillary Clinton pelos votos das mulheres, dos que ganham menos de 50 mil dólares/ano e dos hispânicos (embora a comunidade hispânica do Potomac seja diferente e substancialmente mais pequena do que as do Arizona, da Califórnia, do Texas ou da Flórida, que são estados-fronteira).

Estes são elementos importantes, quando se aproximam as primárias no Wisconsin, dia 19, e no Ohio e no Texas, dia 4 de Março. No primeiro, a mobilização dos jovens militantes estudantes universitários de Madison - onde Obama esteve ontem à noite - irá competir com a capacidade de mobilização dos sindicatos. No Ohio, joga-se o futuro da mensagem política de Clinton na defesa da recuperação do poder económico da classe média, e no Texas, ver-se-á se os hispânicos estão, de facto, a transferir o seu voto para Obama.

Os números sobre a participação eleitoral são impressionantes. Na Virginia, votaram um milhão de pessoas nas primárias Democratas e 500 mil nas Republicanas. No Maryland, participaram 750 mil no processo Democrata e 300 mil no Republicano. Em D.C., por cada eleitor Republicano, houve 20 Democratas. As primárias são importantíssimas na mobilização do eleitorado para Novembro mas há, no GOP, quem prefira passear o cão.

Por fim, uma história curiosa. O mau tempo ao fim do dia causou alguma confusão nas estradas de Maryland. Um juiz considerou que isso poderia interferir com o bom funcionamento do processo eleitoral e decidiu manter as urnas abertas por mais 90 minutos. Welcome to the States.

Fox News

Desde que o General David Petraeus assumiu a chefia militar no Iraque, em Janeiro de 2007, a média diária de vítimas mortais entre as tropas da coligação é 2.47. No período anterior tinha sido 2.39. E no anterior a esse, 2.35. [fonte: Iraq Coalition Casualty Count]

O Henrique Raposo faz uma leitura curiosa desta realidade:

Quando Petraeus tomou conta do Iraque, disse aqui que as coisas iam mudar. Outro galo ia cantar no Iraque. Assim foi. Hoje o Iraque não tem nada que ver com o Iraque de 2005. Petraeus estabilizou o doente. Se o deixarem (tempo e homens), pode até curar o doente.

E aqui dá para ver outra coisa: a forma como o pensamento formatado pela TV deixa de ser pensamento. […] O sucesso não dá para filmar.”

De facto, costuma acontecer a quem vê muitas horas seguidas da Fox News.

Going nuts

Escreveu-me um amigo, há alguns dias: “People are going nuts here, as you know, trying to find a reason not to like Clinton. Meanwhile, the Republican ticket is looking very scary. There is also a lot of nervousness about the economy here with inflation and stock market problems, so I think the rhetoric will become insane by this summer“.

Dormi pouco* esta noite, mas consigo ler neste artigo - a que cheguei através do Nuno Gouveia - bons argumentos em favor de uma maior electability de Hillary Clinton. Verões loucos já ela os teve muitos.

[*não fui só eu: este, alguns destes que também são estes, e muitos outros também não.]

Nonintuitive/intuitive physics

No melhor jornal do mundo: “When Junior Johnson entered the Daytona 500 in 1960, he’d already achieved fame in two careers — first as a moonshiner who kept outrunning federal agents, then by applying those skills to win stock-car races. Now he was ready for a new career as an “intuitive physicist”, a term borrowed from Diandra Leslie-Pelecky, who teaches nonintuitive physics at the University of Nebraska“.

A “electability” de Obama

Dos 19 estados em que Barack Obama venceu as primárias/caucuses, dez foram ganhos por George W. Bush, nas eleições de 2004, com vantagens superiores a 15 pontos percentuais. Por muita capacidade que a sua campanha tenha em atrair novos eleitores, para além dos Independentes e dos Republicanos desiludidos, são muitos os votos que nesses estados separam a plataforma tradicional Republicana da Democrata. A menos que algo de muito singular aconteça, os Democratas não conseguirão conquistar nenhum deles em Novembro.

Em cinco dos outros nove estados, a escolha foi feita através dos caucuses, processo eleitoral esse que, pela sua natureza, obriga a um cuidado redobrado na interpretação dos resultados. Para as tornar ainda mais voláteis, esses cinco estados são considerados swing (a vitória de Bush ou Kerry, em 2004, foi inferior a dez pontos percentuais).

Restam quatro: Illinois, de onde Obama era senador, Connecticut e Delaware, estados ricos e tradicionalmente Democratas, e Missouri, o estado-barómetro, onde venceu por um ponto percentual, cerca de dez mil votos.

Dito isto, tenho alguma dificuldade em perceber o argumento de que Barack Obama é o melhor candidato para Novembro (poupem-me às sondagens nacionais; se o voto nacional valesse alguma coisa, os últimos sete anos teriam sido muito diferentes).

John McCain, o “moderado”

A falta de apoio das bases conservadoras a John McCain é uma ilusão que tem vindo a alimentar a ideia que que o Senador do Arizona é uma solução razoável se o Grand Old Party ganhar as eleições em Novembro. A escolha de Huckabee, principalmente, mas também de Romney como running mate acabará por massajar as mentes mais inquietas, de Ann Coulter a Rush Limbaugh. Mas mesmo que nenhum dos dois seja o escolhido, John McCain irá ceder em muitas matérias até à Convenção Republicana. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu ontem na Conservative Political Action Conference, quando McCain discursava sobre políticas de integração de imigrantes ilegais, de que o Senador é (era) um dos principais promotores, políticas essas fortemente criticadas pela base conservadora republicana que defende um maior e mais agressivo controlo fronteiriço com o México.

Conservadores 1 - Moderados 0:

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Vídeos políticos

O Codfish Waters está a compilar alguns dos melhores vídeos políticos (o de Lyndon Johnson, em 1964, é extraordinário: tenham medo, tenham muito medo).

Esta é a minha sugestão: nas eleições de 2006 para o Senado, no Missouri, o incubente Republicano Jim Talent foi derrotado pela Democrata Claire McCaskill. Uma vitória importante que ajudou os Democratas a conquistar a maioria. Um dos temas da campanha foi a investigação em células estaminais, que a segunda apoiava e o primeiro criticava. Michael J. Fox deu o seu contributo.

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Super Tuesday: caucuses vs. primárias

aqui tinha referido que é necessário algum cuidado quando se comparam os resultados de processos eleitorais tão distintos como os caucuses e as primárias. Esta análise, retirada daqui, ilustra isso mesmo:

The secret is in the asterisk. Notice the little asterisks in Obama’s top five states. An asterisk today denotes a caucus state. Obama did extremely well in caucus states and Clinton did very badly in them. How come? Turnout in caucus states is always low, usually about 10-20% of the electorate. Only highly motivated people bother to show up, especially the Democratic caucuses, which go on for hours and people have to publicly defend their choice. Obama has a smaller, but extremely active and loyal following, especially among younger voters. These are precisely the people who can swing a caucus state by showing up in droves and working hard to convince the other voters that Obama would make a great President. In primary states, the media, especially TV ads have a much bigger influence. Now it becomes clear why Obama won North Dakota but Clinton won Oklahoma, a demographically similar state in the same part of the country: North Dakota had a caucus and Oklahoma had a primary“.

Super Tuesday: swing states, again

Actualização ao meu post anterior sobre os swing states: Barack Obama acabou por ganhar no Missouri, o que o faz vencedor ou líder nas sondagens em dois dos 11 estados que não são nem red nem blue.

Tem-se falado muito do facto de Obama estar a vencer nos red states do sul e do possível impacto que isso terá nas eleições de Novembro. Eu acho que é uma ilusão e que será muito difícil vencer aí contra qualquer candidato republicano. Obama poderá fazer melhor do que Hillary Clinton por causa da mobilização dos eleitores afro-americanos, mas, muito possivelmente, não será suficiente. Em todos os estados, o que conta é a vitória. Perder por muitos ou poucos é irrelevante. Em Novembro, os estados decisivos serão aqueles que referi num post anterior. E aí, Clinton é melhor.

A má notícia é que dois desses estados, Florida e Michigan, foram castigados pelo DNC por terem antecipado a data das primárias. Se os seus delegados não tiverem direito a voto na Convenção - tal como determinado pela estrutura central do partido democrata - vai haver muito pouca motivação das bases em Novembro.

Super Tuesday: Missouri, again

Vale a pena olhar com algum detalhe para os resultados das eleições no Missouri.

Nas primárias democratas votaram 820 mil eleitores, enquanto que nas republicanas 584 mil. É uma diferença considerável. Mas antes de analisar as exit polls e perceber melhor o que significam estes números, repare-se no seguinte caso académico de indecisão colectiva:

Democratas - Obama 49%, Clinton 48%;
Republicanos - McCain 33%, Huckabee 32%, Romney 29%.

Voltando aos números sobre participação. As primárias no Missouri são abertas, o que significa - nunca é demais lembrá-lo - que os eleitores podem votar numa das duas, independentemente da sua filiação partidária. Ora, dos eleitores que participaram nas primárias democratas, 50 mil eram republicanos e 185 mil independentes. Do outro lado, estiveram 17 mil democratas e 134 mil independentes. Ou seja, 235 mil não-democratas votaram em Clinton ou Obama, enquanto que 151 mil não-republicanos escolheram entre McCain, Huckabee e Romney. Um bom indicador para os democratas num estado tão importante como o Missouri.

Outro dado interessante, e que deve estar a provocar algumas dores de cabeça aos estrategas, tem a ver com a geografia do estado. O Missouri é um rectângulo vertical menos perfeito que Portugal. As duas principais cidades, Kansas City e St. Louis, ficam nas fronteiras oeste e este, respectivamente. Tudo o resto é paisagem, ou - para lhe dar um nome mais em voga - um enorme deserto. Há o deserto-norte, o deserto-sul e o deserto-centro que liga Kansas City a St. Louis através da I-70. Como os três desertos têm um peso equivalente ao das duas cidades, as eleições no Missouri são sempre muito disputadas. Ontem, Barack Obama, por um lado, e John McCain e Mitt Romney, por outro, ganharam nos centros urbanos e Clinton e Huckabee nos desertos. Nas eleições presidenciais, os democratas costumam vencer nas cidades e os republicanos fora delas. Ou seja, um grande imbróglio para avaliar da electability de Obama ou Clinton caso McCain seja o candidato republicano em Novembro.

Super Tuesday: swing states

O partido democrata só poderá ganhar em Novembro se conquistar muitos daqueles que são considerados os swing states: Florida, Ohio, Oregon, Michigan, Minnesota, Missouri, Nevada, New Hampshire, New Mexico, Pennsylvania e Wisconsin. De todos, Barack Obama só lidera em Minnesota (resultados ou sondagens).

Super Tuesday: private joke

Gigabytes de dados, gigabytes de interpretações, gigabytes de conversas paralelas, gigabytes de gigabytes de coisas que me têm mantido afastado do blogue.

Super Tuesday: Bush e os republicanos

As eleições na Geórgia são abertas.  Mesmo assim, 30% dos eleitores nas primárias republicanas têm uma opinião negativa da administração Bush.  Más notícias para os democratas.

Super Tuesday: McCain e Huckabee

John McCain tem sido muito criticado pela base mais conservadora do partido republicano de que vai precisar para vencer em Novembro. Talvez a escolha de Mike Huckabee como running mate possa vir a massajar as mentes mais inquietas. O apoio que McCain deu a Huckabee revelou-se fundamental para que o último vencesse a convenção de West Virginia.

Super Tuesday: blogues em português

Segue-se uma lista de blogues escritos em português que têm seguido com algum detalhe as primárias norte-americanas. Alguns deles vão acompanhar o dia de hoje em directo. O Goodnight Moon também.

Arrastão, Codfish Waters, Eleições Americanas de 2008, Eleições EUA 2008 (Público), Politicamente Politizado e Véu da Ignorância II.

Actualização: O Memória Virtual, do Leonel Vicente, também tem seguido com muita atenção as primárias norte-americanas.

Super Tuesday: Missouri

Há um estado, para além dos óbvios Nova Iorque e Califórnia, a que vale a pena estar muito atento logo à noite: Missouri.

Primeiro, porque as sondagens têm previsto, consistentemente, um empate entre Barack Obama e Hillary Clinton nas primárias democratas, e uma ligeira vantagem de John McCain relativamente a Mike Huckabee e Mitt Romney nas republicanas. Embora o número de delegados seja muito inferior aos a eleger por Nova Iorque ou Califórnia, Missouri tem sido um estado muito disputado por democratas e republicanos nas eleições presidenciais desde os anos 50.

E segundo, porque aí as primárias são abertas o que significa que os eleitores, independentemente do seu registo partidário, podem votar em qualquer uma das duas. A participação eleitoral por primária pode ser o primeiro “data point” das intenções de voto para Novembro.

Ainda John Edwards

A história de John Edwards na política é relativamente curta. Em 1998, depois de uma carreira muito bem sucedida como advogado e sem antes ter ocupado qualquer cargo público, candidata-se ao senado e derrota a incubente republicana da Carolina do Norte. Dois anos depois, no rescaldo da vitória de Al Gore nas primárias democratas, o seu nome surge surpreendentemente na shortlist de candidatos a vice-presidente. O escolhido acaba por ser o senador Joe Lieberman e Edwards mantém-se mais quatro anos no senado.

Entre 1998 e 2004, enquanto senador, teve um registo de voto pouco recomendável em algumas matérias: apoiou o Patriot Act e autorizou o uso de força no Iraque. Mas alguns detalhes mostravam outro tipo de preocupações: os seus eram os únicos filhos de senadores a frequentar escolas públicas; promoveu algumas propostas legislativas que garantiam mais direitos para trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho e para crianças vítimas de erros médicos; e apelava para um maior apoio federal e estadual a estudantes universitários carenciados. No entanto, a discussão política nos Estados Unidos estava refém de Karl Rove e Rush Limbaugh. A segurança, sempre a segurança, e os valores morais eram os temas dominantes.

Em 2004, candidata-se às primárias democratas, perde para John Kerry mas é escolhido como seu running mate: sulista, oriundo de famílias humildes e uma estrela em ascenção em Washington, John Edwards poderia ajudar a reconquistar aqueles estados perdidos desde JFK. A forma cordial e pouco energética como confrontou Dick Cheney no único debate vice-presidencial de 2004 mostrou algum receio em promover a fractura que a esquerda americana ambicionava. É neste patamar político que se retira para Chapel Hill, na Carolina do Norte, depois de perder as eleições de Novembro.

Aí, promove a criação do Center on Poverty, Work and Opportunity, do qual é o primeiro director. Os três anos seguintes são passados entre a serenidade de uma cidade universitária com 60 mil habitantes, e os estados do Iowa e do New Hampshire, numa indicação clara que seria novamanete candidato às primárias. É neste contexto que nasce a plataforma política sobre a qual viria a fazer a campanha que terminou há dois dias. O palco para o anúncio do início e do fim da candidatura foi o mesmo: a cidade esquecida de New Orleans. A sua plataforma política era a mais sólida que um candidato democrata apresentou em muitos anos. Neste artigo do New York Times, Paul Krugman escreve: “Mr. Edwards, far more than is usual in modern politics, ran a campaign based on ideas”. Cuidados de saúde, imigração, tratados económicos, aquecimento global, são alguns exemplos de temas para os quais a campanha de Edwards apresentou planos de acção muito antes dos outros.

Mas as coisas não correram como se desejava. Aqueles que mais poderiam beneficiar das suas políticas sociais - os 37 milhões de americanos que vivem abaixo do limiar de pobreza - não pareciam apoiá-lo. A maioria, aliás, não participa em actos eleitorais e os que foram atraídos aproximaram-se mais de Barack Obama. Cruel. Dos três candidatos, Obama era o que tinha as mais fracas políticas de apoio social. A demografia, mais do que a economia, pode ser a explicação politicamente incorrecta. Na Carolina do Sul, John Edwards conseguiu o maior número de votos dos eleitores republicanos (as primárias nesse estado são abertas) e também dos que defendem a permanência das tropas no Iraque. Pior: há três dias, as sondagens previam péssimos resultados nos estados mais liberais e melhores resultados nos estados mais conservadores. Para além de alguns intelectuais e professores universitários, a esquerda americana não estava com Edwards. Ou, pelo menos, estava menos do que seria de esperar. E a classe média sufocada pela administração Bush parecia escolher pouco em função da solidez das propostas. Os jovens, outro dos alvos da plataforma de Edwards, andavam fascinados com Barack Obama.

Por razões ainda pouco clarificadas, John Edwards desiste da campanha. Era nítido que dificilmente seria o escolhido, mas perante o cenário provável de nem Clinton nem Obama conseguirem a maioria dos delegados, Edwards poderia desempenhar um papel importante na conveção. Só que contra a expectativa de muitos, acabou por sair. E fê-lo, sem declarar o apoio a nenhum dos outros candidatos. De repente, 15% do eleitorado estava up for grabs.

Ontem, em Los Angeles, no mesmo palco da cerimónia dos óscares, Hillary e Obama, com sorrisos e pronúncias mais agradáveis para uma audiência tão distinta, falam da herança de John e Elizabeth Edwards. Quase à mesma hora, John e a filha Cate assistem a um jogo de basketball no Dean Smith Center, o pavilhão desportivo da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. O combate à pobreza tinha-se tornado uma causa política do partido democrata.

Dream free kick


Falta um golo para Sir Alex Ferguson telefonar ao barbeiro.

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