Jornalismo técnico
Um jornal tem jornalistas, revisores, editores e directores. E, no entanto, permitem que se escrevam coisas como o parágrafo seguinte, retirado de uma notícia do DN de hoje. Depois, façam aquela cara de espantados e escrevam editoriais sobre o excesso de ruído nas discussões públicas. O maradona é que não é parvo: só lê jornais estrangeiros.
«As características da ponte já levantaram dúvidas. Câncio Martins fixou um vão (distância entre o leito do rio e o tabuleiro da ponte) de 690 metros na cala norte. António Reis, que o substituiu no projecto, já afirmou publicamente (RTP) que o vão baixou para 540 metros, uma redução que vários responsáveis ligados ao estudo da CIP consideram que pode colocar definitivamente em causa a passagem e a operação de manobras dos grandes navios, bem como a operação a montante. Carlos Fernandes diz que o projecto prevê uma altura desde a água à parte inferior de 47 metros, enquanto a APL prevê 43 metros e os armadores fixam a altura em 50 metros».
Brincar aos soldadinhos

Ontem, foi noticiado que o príncipe Harry estaria no Afeganistão em serviço militar há pouco mais de dois meses. Hoje, o comando militar inglês mandou-o para casa. Acabou o recreio.
Slow-blog movement
Daqui: «Dedicated online readers have come to understand (if not accept) that there is a trade-off to be made with blogs: faster news and more information put accuracy and objectivity at risk. That might be acceptable, or even preferable, for some, but to the extent that bloggers want to be taken seriously as trusted sources of news and information, it seems problematic. And when what is written in the blogosphere is picked up in the mainstream punditocracy, as it increasingly is, a slow-blog movement (beyond traditional print platforms, that is) begins to make some sense».
Dude, you’re a professor
«Dude, you’re a professor. You should have a math-whiz TA to help you with the algebra». Comentário do leitor “low-tech cyclist“ a um post de Paul Krugman, onde este justifica a falta de actividade do blogue com a obrigação de respeitar o prazo para a submissão de um trabalho científico.
Infografismos
No jornal do costume, o porquê da sua infografia ser extraordinária [bold meu]: «Mr. Duenes manages the graphics department, a group of 30 journalists who research and create the diagrams, maps and charts for the newspaper and the Web site. He started at The Times in 1999 as the graphics editor for science. In 2001, he became the deputy graphics director, and in 2004, he became the graphics director».
Última hora: McCain vence eleições de Novembro
[Via 5 dias:]
Celeiro de Noé

A fotografia em cima mostra a entrada para o maior depósito de sementes do mundo. Inaugurado hoje, o Svalbard Global Seed Vault armazena 100 milhões de sementes, repartidas por 268 mil amostras distintas oriundas de mais de 100 países. Foi construído no ártico, em território norueguês, estende-se por 125 metros debaixo das montanhas geladas e tem capacidade para 2 mil milhões de sementes. O seu objectivo é garantir a diversidade e segurança de algumas das mais importantes fontes de alimento mundial, ameaçadas pelas alterações climáticas, desastres naturais, pragas, ou guerras.
Change

Ralph Nader anunciou ontem que será candidato independente nas eleições presidenciais de Novembro próximo. Se os eleitores norte-americanos anseiam por “mudança”, esta será a escolha coerente. Só falta o vídeo no youtube.
McMurdo, Antarctica

Electoral-vote, sobre o voto dos Democrats Abroad de que o autor do site faz parte:
«Chalk up another one for Barack Obama. With the announcement of the results of the Democrats Abroad primary, Obama has now won 11 primaries and caucuses in a row. Democrats Abroad represents the Democrats among the approximately 7 million Americans living outside the U.S. (a population greater than that of 37 of the 50 states). The Democratic Party considers DA to be a state and allocates 22 delegates each with half a vote to it (so Americans from more countries can go to the convention). For the first time ever, DA held an Internet primary. It ran for a week. Democrats in 164 countries voted by Internet, mail-in ballots, and in person at 30 voting centers around the world. The results were announced yesterday with Obama getting 66% of the vote and Clinton getting 32%. Obama gets 5 half-votes and Clinton gets 4 half votes as a result of the regional proportionality rules. Another five half-vote delegates will be selected at the DA Global Convention in April. There are also 8 half votes for PLEOs. The Internet primary allowed Democrats in far-flung locations to vote, including Democrat Adam Lutchansky, who is stationed at the U.S. scientific base at McMurdo, Antarctica, who voted on his computer».
Para acompanhar o almoço de domingo
Filipe Moura, no 5 dias, sobre uma lei que permite aos consumidores recusar o pagamento de aperitivos não expressamente pedidos nos restaurantes:
«Parece afinal que há uma lei (que ninguém conhece) que visa proteger os consumidores dos pequenos vigaristas, e que nunca é aplicada. Para os nossos grandes liberais, claro, só a “liberdade individual”, esse valor supremo, dos pequenos vigaristas, é que deve ser protegida e salvaguardada. O direito do consumidor a não ser vigarizado é responsabilidade dele próprio. É sempre assim – liberdade para o empresário, responsabilidade para os outros. Mesmo que a liberdade do empresário seja fazer vigarice. Gostaria de ver se algum liberal português defende isto no estrangeiro, ou se algum liberal estrangeiro gostou de ser vigarizado em Portugal».
Obama, Mac e West Wing
Barack Obama e a batalha “Mac vs. PC”: Aqui (The New York Times).
Barack Obama e a série televisiva “Os Homens do Presidente”: Aqui (Guardian).
[Obrigado, Mariana]
Grandes desafios da engenharia
Os grandes desafios da engenharia, segundo a norte-americana National Academy of Engineering [via Dot Earth]:
- Tornar a energia solar economicamente mais viável;
- Produzir energia a partir da fusão nuclear;
- Criar métodos de sequestração de carbono;
- Gerir o ciclo do azoto;
- Desenvolver mecanismos de produção de água potável, assim como torná-la mais acessível;
- Recuperar infraestruturas urbanas;
- Sofisticar os sistemas informáticos de prestação de cuidados de saúde;
- Desenvolver melhores medicamentos;
- Reproduzir a engenharia do cérebro;
- Prevenir o terrorismo nuclear;
- Tornar a internet mais segura;
- Melhorar as técnicas de realidade virtual;
- Desenvolver métodos mais eficientes de aprendizagem individual;
- Produzir as ferramentas para as grandes descobertas científicas.
As palavras de José Sócrates

A rede Tubarão Esquilo - de que este blogue faz parte - lançou uma ferramenta de análise da frequência com que algumas palavras foram proferidas nos discursos de José Sócrates ao longo dos últimos três anos. Aqui, ainda em versão beta.
Wisconsin: o que foi diferente
Vivi dois anos em Wisconsin. Em Fevereiro, ninguém sai de casa por causa das temperaturas absurdas. Wisconsin tem pouco mais de 5 milhões de habitantes. Ontem, com 20 graus negativos, um milhão e cem mil wisconsianos votaram nas primárias Democratas; um terço disso, nas Republicanas.
Mais: Barack Obama ficou 17 pontos percentuais à frente de Hillary Clinton. Há dois meses, esta era a diferença na intenção de voto, mas ao contrário. E tal como já tinha acontecido na Virginia e no Maryland, as mulheres e os que ganham menos de 50 mil dólares/ano dividiram-se entre as duas candidaturas. Da sua base de apoio inicial, resta agora a Hillary Clinton o eleitorado com mais de 65 anos. Foi um erro tremendo ter ignorado Wisconsin e será agora ainda mais difícil contrariar a dinâmica de vitória de Obama; os 14 pontos que os separam no Ohio, e os oito, no Texas, podem evaporar-se num instante.
Perante o nível de participação eleitoral e a margem da vitória de ontem, num estado que é swing e onde se vota por primária, tenho que reconhecer que Obama poderá ser capaz, em Novembro, de fazer melhor do que aquilo que aqui escrevi.
[Nota: Hillary Clinton não congratulou Obama pela vitória de ontem. É uma atitude deselegante, que voltou a repetir. Adenda à nota anterior: Como lembra o Nuno Gouveia, Barack Obama começou a discursar, no Texas, enquanto Hillary Clinton discursava no Ohio.]
Wisconsin: Lake Monona

Gansos canadianos no gelado lago Monona, em Madison, Wisconsin, com 30 graus negativos. Fez ontem dois anos.
O.C.S.
David Brooks, num artigo do New York Times que antecipa a retórica do próximo Verão se Barack Obama for o nomeado da Convenção Democrata: «At first it seemed like a few random cases of lassitude among Mary Chapin Carpenter devotees in Berkeley, Cambridge and Chapel Hill. But then psychotherapists began to realize patients across the country were complaining of the same distress. They were experiencing the first hints of what’s bound to be a national phenomenon: Obama Comedown Syndrome».
In support of a shared physics and politics terminology
Há dois meses, as sondagens anunciavam uma vantagem de 20 pontos percentuais de Hillary Clinton relativamente a Barack Obama nas primárias do Wisconsin. Nos últimos dias, Obama tem estado cinco ou dez pontos à frente, embora algumas sondagens indiciem uma recuperação de Clinton. O momentum das últimas vitórias de Obama não justifica tudo e é a ausência de spin promovido pela campanha de Clinton que não tem ajudado.
Durante a semana passada, escrevia-se que a campanha da senadora de Nova Iorque estaria mais interessada nas primárias de 4 de Março no Ohio e no Texas, do que no Wisconsin. Se é verdade que os resultados de hoje não irão alterar muito os totais de delegados (a alocação é proporcional e não se espera uma vitória esmagadora de nenhum candidato), também é verdade que Clinton beneficiaria de algum friction (tomem lá mais física) ao momentum de Obama.
A razão para o aparente ostracismo a que Wisconsin foi condenado pode ser a recente reconfiguração da equipa conselheira de Clinton, que só há poucos dias parece ter recuperado o controlo da campanha. Jay Cost elabora neste artigo, entre outras coisas, sobre os chamados “efeitos de campanha” e conclui que Clinton é quem mais deles beneficia. Os últimos três dias, passados a enfrentar os 20 graus negativos característcos nesta altura do ano em Wisconsin, serviram como a motivação desejada pelos seus apoiantes.
Uma vitória hoje em Wisconsin seria importante para as decisivas primárias do Ohio e do Texas. Mas qualquer que seja o resultado, Hillary Clinton não deixará de acumular, durante as próximas semanas, milhares de milhas aéreas nas ligações entre Columbus e Austin, e aplicar-se-á o princípio de incerteza de Heisenberg: quanto mais conhecida for a sua localização, menos conhecido será o seu momentum.
Ribeira de Algés
A ribeira de Algés é um pequeno curso de água que corre paralelo à Avenida dos Bombeiros Voluntários, em direcção ao rio. Até há seis meses, na zona do campo de futebol do União Desportiva e Recreativa de Algés, onde a ribeira corre a descoberto, os 50 metros que separam a ribeira da avenida eram um terreno baldio. Quando chovia muito, a Avenida dos Bombeiros inundava com a água que transbordava da ribeira.
Recentemente, a Câmara Municipal de Oeiras construiu um parque de estacionamento entre a ribeira e a avenida. Onde antes havia um terreno permeável, passou a haver asfalto. Agora, quando chove, a Avenida dos Bombeiros transforma-se num afluente do rio Tejo com um caudal maior que o do Zêzere.
Club Setubalense
Na sexta-feira, participei num debate sobre a Blogosfera e a sua Expansão promovido e moderado pelo núcleo jovem do Club Setubalense. Ao meu lado, na mesa, estiveram Maria Emília Simões, blogger e professora na Escola Secundária de Bocage, Francisco Alves Rito, director do Jornal de Setúbal, e o moderador Tiago Gonçalves. Foram duas horas de conversa animada com a participação entusiasmada da assistência.
Phoenix Supernovas

Num dos sítios do costume:
« Claiming he was initially excited at the prospect of playing for a legitimate championship contender, new Phoenix Suns center Shaquille O’Neal admitted Monday that, upon reading about the phenomenon of massive stellar explosions popularly known as supernovas, he is now terrified of the entire organization. (…)
“Like Superman, I receive my energy from the Suns,” O’Neal said. “I’m scared I will not be able to flourish in an environment where there is a risk that the Suns’ supply of hydrogen could be exhausted, which would cause the core of the Suns to collapse into the center—in this case, me—and create a rise in temperature and pressure that would become great enough to ignite helium and then start a helium-to-carbon fusion cycle.”
“Not even electron degeneracy pressure is enough to stop a supernova when that happens to a Sun,” O’Neal added. (…) »


